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ATUALIZADA - Robson Conceição desempata históricos recentes e lutará por ouro inédito

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O boxeador brasileiro Robson Conceição, 24, que compete na categoria peso ligeiro (até 60 kg), se especializou nesta Olimpíada em desempatar históricos.

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Ele enfrentou dois adversários com quem já tinha lutado. Nas duas ocasiões, o histórico era de uma vitória para cada concorrente.

Nas quartas de final, Conceição bateu o uzbeque Hurshid Tojibaev, 26, com quem já tinha feito duas lutas - cada um venceu uma.

No terceiro confronto, o brasileiro levou a melhor e avançou para a semi-final, garantindo ao menos a medalha de bronze para o Brasil.

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Neste domingo (14), Conceição venceu o primeiro do ranking da categoria, o cubano Lázaro Álvarez, 25.

Em quinto no ranking, Conceição desempatou o histórico de uma vitória para cada um e garantiu ao menos uma medalha de prata para o Brasil.

Ele buscará o ouro inédito do país na próxima terça-feira (16), às 19h15.

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O brasileiro ainda não sabe quem irá enfrentar na final, mas se depender da sorte poderá colocar em prática novamente seu "talento para desempatar". Às 18h deste domingo, o atleta da Mongólia Otgondalai Dorjnyambuu, 28, número dois do ranking, pega o francês Sofiane Oumiha, 21, sexto no ranking.

Com o mongol, Conceição tem histórico de empate: quatro lutas, duas vitórias para cada. Contra o francês ele nunca lutou.

"Mas eu estudei, conheço o estilo do francês. Vai ser uma luta dura, independentemente do oponente, mas estou preparado e focado para tentar a medalha de ouro", disse.

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Conceição é o boxeador que chegou mais próximo de uma medalha de ouro nesta Olimpíada. Ele era cotado como medalhista nos jogos de Londres-2012 e Pequim-2008, mas perdeu a primeira luta nas duas ocasiões.

Baiano de Salvador, Conceição ficou feliz em trocar a cor de sua medalha em pleno dia dos pais. "Foi um presente para minha filha, Sophia, de dois anos, que me assistiu junto com minha esposa, Érika".

"Agora é manter o foco, com bastante humildade, para chegar na final e vencer".

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CASA

A torcida no pavilhão 6 do Riocentro, onde as competições de boxe ocorrem, tem feito a sua parte. Sempre apoiando as pratas da casa, às vezes se excede na hostilidade aos adversários.

"Uh, vai morrer. Uh, vai morrer", gritam os torcedores antes do início das lutas, repetindo bordão nascido nos jogos de futebol e usado em luta recente de José Aldo no MMA.

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Em vários momentos, a torcida bate os pés no chão da arquibancada metálica, fazendo um som semelhante ao da passagem de um trem.

Conceição agradeceu o apoio dos brasileiros e disse que o fator casa lhe está fazendo bem. "Essa vibração positiva das arquibancadas, o carinho nas redes sociais, me fizeram chegar até aqui".

LUTA

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A semifinal contra o cubano número um do ranking foi parelha. O primeiro round foi dele. O segundo, de Conceição. Faltavam 35 segundos quando um direto bem encaixado atingiu o olho esquerdo do brasileiro, abrindo um corte ao lado da sobrancelha. Por conta do sangramento, teve que ser atendido e a luta interrompida.

Os dois pugilistas foram para o tudo ou nada quando a luta recomeçou. Um combate frenético a curta distância marcou os momentos finais, para o delírio da torcida.

Conceição levou a melhor, atingindo o adversário várias vezes na linha de cintura e encaixando um forte cruzado de esquerda no rosto adversário.

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"É campeão", gritou a torcida ao fim da luta.

O brasileiro disse não ter se abalado com o corte, algo relativamente novo no boxe amador. Até 2013 havia a exigência de capacetes no boxe olímpico (ou amador, como é tecnicamente chamado).

"Eu não senti o corte. Já tinha ocorrido o mesmo na minha última luta contra o Lázaro. É normal do esporte e já estamos acostumados".

CUBA

A comissão técnica de Cuba chegou a bater boca com a do Brasil no final do combate. Houve divergência para saber quem levou o último e decisivo round. Conceição, segundo decisão dos juízes, ganhou por unanimidade.

"Eles eram nossos amigos enquanto estávamos perdendo sempre. Agora que ganhamos eles quiseram bater boca. Mas foi coisa de momento. Nós nos inspiramos na escola de boxe cubano. Eles são os maiores e os respeitamos muito", disse o auxiliar técnico do time brasileiro Matheus Alves.

Ao final do combate, alguns observadores chegaram a dizer que nascia ali uma rivalidade entre Brasil e o país que é o maior ganhador olímpico de medalhas no boxe.

"Os meninos se inspiram muito no estilo de luta praticado em Cuba, mas sempre querem vencer os cubanos. É feito no futebol. Os caras vêm aqui e querem vencer do Brasil", disse.

CONTA DE MEDALHAS

O boxe foi o segundo esporte que mais deu medalhas para o país em Londres-2012, com dois bronzes e uma prata, atrás apenas do judô (um ouro e três bronzes).

O resultado havia encerrado um jejum de 44 anos sem medalhas. A primeira e única medalha do país na modalidade até então era um bronze, de Servílio de Oliveira, em Cidade do México-1968.

O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) conta com o desempenho da modalidade para atingir a meta de estar entre os dez maiores medalhistas desta Olimpíada.

Adriana já está fora e os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão, prata e bronze em Londres, respectivamente, não disputam a Rio-16.

Otílio Toledo, cubano, chefe da delegação de boxe do Brasil, tem objetivo diferente da do comitê: superar Londres em quantidade de vitórias, não de medalhas.

Na Olimpíada passada, a delegação tinha 10 atletas, conquistou 11 vitórias e amargou 10 derrotas.

Até o momento na Rio-2016, o Brasil, que iniciou com nove pugilistas, já teve sete vitórias e três derrotas.

Com a derrota neste domingo de Robenilson de Jesus e Michel Borges, o Brasil está com apenas três atletas na competição.

"Estamos perto de conseguir igualar os resultados. Medalha é algo que almejamos, sem dúvida, mas o ciclo é outro e os competidores também. Temos chance e estamos brigando por elas", disse.

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