Boxeador marroquino suspeito de estupro deixa a cadeia
GABRIEL VASCONCELOS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Preso em Bangu desde o último dia 4 sob acusação de tentativa de estupro a duas camareiras, o boxeador marroquino Hassan Saada foi solto na tarde desta sexta-feira (12).
Ele responderá à Justiça em liberdade, sob a condição de não deixar o Rio e não se aproximar mais da Vila Olímpica.
O habeas corpus foi concedido pelo ministro Rogerio Schietti Cruz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ainda na quarta-feira (10).
Na decisão, o magistrado determina que o lutador entregue o passaporte à Justiça, a fim de evitar uma eventual fuga, e explica que as instâncias anteriores não consideraram a aplicação de medidas cautelares (restrições) como uma decisão alternativa.
O recurso da defesa já havia sido negado duas vezes por uma juíza e um desembargador. Preso por mais de uma semana, o lutador acabou eliminado dos Jogos na categoria meio-pesado (até 81kg). Ele estrearia no sábado (6) contra o turco Mehmet Nadir Unal, mas faltou à pesagem e foi eliminado por WO.
"Não houve indicação de que sua periculosidade seria tão exacerbada a ponto de não poder ser controlada por outras medidas suficientes à proteção das vítimas e de terceiros", escreveu Schietti na decisão.
Em depoimento, as vítimas contaram que Saada as abordou enquanto limpavam um apartamento reservado à delegação marroquina, na manhã do dia 2 de agosto. O boxeador teria pedido que cada uma tirasse fotos com ele e perguntado por suas contas em redes sociais. Ao final, teria pedido um beijo a uma delas.
Num segundo momento, quando já trabalhavam em outro cômodo, o boxeador teria reaparecido e, de forma agressiva, segurou uma delas pelo braço tentando beijá-la e apertando sua perna. Depois, teria apertado os seios da outra, fazendo sinais de masturbação e de dinheiro, como se fizesse uma oferta.
A defesa tem contestado a versão das vítimas apontando contradições nos depoimentos. Segundo o advogado criminalista Paulo Freitas Ribeiro, que atende Saada, sua presunção de inocência deve ser respeitada, como a de qualquer brasileiro.
Apesar de pedir por isonomia, no recurso, o advogado argumentou o boxeador é um "atleta reconhecido mundialmente, disputa os Jogos Olímpicos Rio-2016" e, portanto, não representaria riscos à sociedade.
"Não importa se nacional ou estrangeiro, famoso ou desconhecido, releva analisar se a segregação cautelar [prisão] é necessária", lembrou o ministro.
