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Clérigo diz que irá à Turquia se órgão independente provar atuação em golpe

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O clérigo turco Fetullah Gülen, acusado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan de ter planejado um golpe de Estado, pediu que seja criada uma comissão internacional para investigar se ele de fato teve participação nesse ato.

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O pedido por investigações foi feito em uma carta publicada nesta sexta-feira (12) no jornal francês "Le Monde". No texto, Gülen anunciou que aceitará as conclusões da comissão e, se for o caso, voltará ao país.

Erdogan, rival de Gülen, acusa o clérigo pela tentativa de golpe militar frustrada de 15 de julho, em que mais de 240 pessoas foram mortas. Gülen, exilado nos Estados Unidos, nega.

Simultaneamente, o governo turco afirmou nesta sexta ter recebido "sinais positivos" dos EUA em relação ao pedido de extradição do clérigo. A Turquia tem pressionado a administração norte-americana nas últimas semanas, enquanto se reaproxima da Rússia de Vladimir Putin.

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Também nesta sexta a chancelaria turca anunciou que 32 de seus diplomatas estão desaparecidos, após terem sido convocados à capital, Ancara, na sequência da tentativa de golpe militar.

Segundo o governo, parte deles fugiu a outros países. Dois dos funcionários em Bangladesh, por exemplo, teriam viajado aos EUA, enquanto outros dois na Grécia foram para a Itália.

PERSEGUIÇÃO

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A Turquia tem promovido, nas últimas semanas, um extenso expurgo no país, perseguindo militares, jornalistas e funcionários públicos suspeitos de participação no golpe de julho.

Uma das vítimas recentes foi o jogador de futebol Hakan Sükür, a quem o governo emitiu um pedido de prisão. Ele é acusado de fazer parte de um grupo armado terrorista, de acordo com a agência de notícias Anadolu.

Sükür foi uma das estrelas do futebol turco, com atuação entre 1987 e 2007 e participação na Copa de 2002. Ele teve uma breve passagem pela política turca, após a qual alinhou-se com Gülen.

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Nesta sexta, agências de notícias locais relatavam ainda que promotores turcos pediam sentenças de cinco anos de detenção para líderes de partidos ligados a militantes curdos por "espalhar propaganda de terror".

O governo turco está em conflito com curdos no sudeste do país, após o fim de um cessar-fogo em julho de 2015. Há violência e apreensão política desde então.

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