Fratus vai à final dos 50 m livre
MARIANA LAJOLO E PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADOS ESPECIAIS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Bruno Fratus se classificou para sua segunda final olímpica consecutiva nos 50m livre. Em Londres-2012, ele terminou na quarta posição, e ao longo deste ciclo que se fecha na Rio-2016 foi ouro no Pampacífico de Gold Coast, em 2014, e bronze no Mundial de Kazan, no ano passado.
O nadador fez 21s71 nas semifinais desta quinta-feira (11) e avançou com o sexto tempo. O melhor foi o francês Florent Manaudou, atual campeão olímpico e mundial, que registrou 21s32.
"A prioridade do dia era me classificar para a final. Ter uma chance de nadar a final daqui a 24 horas dá um aliviozinho", afirmou Fratus. Ele tem sofrido com dores na região lombar, mas negou que elas o atrapalhem e contou que o maior incômodo ocorreu em abril.
"Não tenho mais 17 anos. Quando fica dando paulada no corpo todo, sendo atleta de alto rendimento, alguma hora uma coisa vai reclamar um pouco. Mas eu estou bem. Lidar com lesão é parte da rotina, é normal do dia a dia", comentou. Ítalo Duarte, que conquistou a segunda vaga olímpica do Brasil e deixou Cesar Cielo em terceiro, piorou seu tempo em relação à eliminatória e fez 22s05 (havia feito 21s96).
"Dei o meu melhor. Foi 100%. Minha saída foi melhor do que na manhã, mas sei que posso fazer melhor. Dei o melhor que podia. Tenho certeza de que se o Cesar [Cielo] estivesse aqui ele também daria o melhor. Todo atleta que vem a uma Olimpíada quer dar o seu melhor", afirmou Ítalo.
"É tirar aprendizado, ver o que errei e buscar melhorar para os próximos Campeonatos Mundiais e Olimpíadas", complementou.
SEM MEDALHA
Thiago Pereira, que havia sido medalhista de bronze e prata nos dois Campeonatos Mundiais deste ciclo olímpico, realizados respectivamente em Barcelona e Kazan, decepcionou até a si mesmo.
Com o tempo de 1min58s02, ele ficou em sétimo lugar, atrás de Michael Phelps (ouro), Kosuke Hagino (prata) e Shun Wang (bronze).
A marca de Pereira foi pior até mesmo do que na semifinal, realizada nesta quarta-feira. "Não foi, realmente. Qualquer um, inclusive eu, sonhava em sair daqui com um resultado melhor. É duro olhar para o placar e ver que o suficiente para a medalha é um tempo que você já fez várias vezes", afirmou.
"Faz parte do jogo. Independentemente de qualquer coisa, eu não faria nada diferente. Tudo o que fiz neste ano, faria de novo. Fiz o meu máximo, fiz tudo o que podia", continuou. "Tem coisa na vida que não é para ser. O cara lá em cima sabe o que faz. Bola para a frente, não acabou aqui. Vou ter um descanso agora. Rio-2016 teve um desgaste físico e mental, desde Londres eu estava com isso na cabeça."
Ele vinha treinando em Los Angeles, nos EUA, desde o final de 2014. O nadador, que foi medalhista de prata em Londres-2012 nos 400m medley, disse que os Jogos do Rio podem ser um diferencial na geração de novos atletas.
"Uma coisa que não podemos deixar passar que o nosso país é nosso país. A gente não pode julgar o Brasil como um todo. Precisamos voltar a ter orgulho da nossa camisa, do verde e amarelo. Para que a gente não tenha apenas alguns Thiagos, alguns Césars, mas vários atletas botando o nome na história", comentou.
Aos 30 anos, ele reiterou que continuará na natação, mas não sabe se chegará a disputar os Jogos de Tóquio, em 2020.
"É difícil falar agora. Como sempre fiz, encerro o ciclo de quatro anos. Quero um descanso, sou humano também. Vamos ver depois desse descanso, traçar meus planos. Difícil falar de 2020, mas não descarto. Se eu puder tentar mais uma vez, vou abraçar, independentemente de idade ou qualquer coisa."
