Estudo encontra possível gene da sociabilidade
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma rara doença genética, a Síndrome de Williams, pode auxiliar na compreensão do comportamento social dos seres humanos. Os portadores da condição costumam ser extremamente sociáveis, criando laços e se aproximando facilmente de todos.
A doença atinge uma a cada 10.000 pessoas e ambos os sexos podem ser afetados.
As pessoas com a síndrome costumam ter certas características físicas muito próprias: uma boca larga, lábios cheios, queixo fino e um rosto pequeno. Além disso, questões comportamentais, como maior sensibilidade musical e, apesar dos problemas de desenvolvimento, boa linguagem, despertam a atenção.
Contudo, a característica mais marcante dos portadores da síndrome é a sociabilização. Problemas de relacionamento não são uma preocupação para eles.
Para entender melhor a condição, os pesquisadores se focaram em um gene específico que causaria a doença: o FZD9.
A ausência de uma das cópias desse gene causa mudanças estruturais nas células nervosas. Neles, os dendritos são mais ramificados, como uma árvore, o que possibilita mais contatos entre sinapses, ou seja, mais conexões entre neurônios.
Isso talvez seja um dos fatores que explique os aspectos de ampla sociabilidade.
Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos autores da pesquisa, ficou intrigado com a síndrome, que é quase o oposto do seu campo de pesquisa usual, o autismo.
Os autistas normalmente não são muito sociáveis e apresentam problemas de linguagem.
Com o estudo, começam a ganhar contornos as possíveis explicações sobre a sociabilidade do ser humano e como isso se desenvolveu durante a evolução.
A pesquisa foi publicada nesta quarta (10) na revista "Nature".
