Única bicampeã do judô na Rio-2016, Kayla Harrison se aposenta aos 26 anos
ITALO NOGUEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Tornar-se bicampeão olímpico de judô é difícil. Prova disso é que a única a atingir tal feito até agora na Rio-16 foi a norte-americana Kayla Harrison na categoria meio-pesado (até 78 kg).
Além da dificuldade, o empenho é desgastante. E foi por esse motivo que a norte-americana anunciou, nesta quinta-feira (11), com a medalha de ouro no peito, que está se aposentando do esporte aos 26.
"Foram provavelmente os mais longos quatro anos da minha vida. Eu lutei com o ombro deslocado, com febre, dor no joelho, na mão... Lutei todos os torneios do circuito nesse período. Muitos momentos não queria lutar ou treinar, mas com meus treinadores era tudo ou nada. Eles me empurraram ao ponto em que hoje eu sabia que havia trabalhado mais do que qualquer outro. Ninguém tiraria essa medalha de mim", disse Kayla.
A judoca tem proposta para integrar os quadros do UFC, em que luta a ex-judoca Ronda Rousey, medalhista de bronze em Pequim-08. Mas diz não ter decidido ainda sobre seu destino esportivo.
Kayla foi a primeira medalhista de ouro no judô pelos Estados Unidos, em Londres-12. O esporte não tem grande tradição na potência olímpica, o que a faz ter dificuldades de arrumar grandes patrocinadores.
"Meu legado no judô está completo. Estou feliz com minha carreira e agora é hora de continuar a ter um legado fora do tatame e mudar o mundo", disse a judoca.
A norte-americana criou após Londres-12 uma fundação (Fearless, "sem medo" em inglês) para atender crianças que sofreram abusos sexuais. Ela foi vítima deste crime por parte de seu primeiro treinador quando tinha 13 anos.
Kayla polarizou com a brasileira Mayra Aguiar a categoria até 2014. A meio-pesado feminina tinha poucas atletas com o mesmo nível técnico. As duas criaram uma rivalidade que, para frustração da torcida presente na Arena Carioca 2, não foi posta à prova na final desta Olimpíada.
Ao longo de toda disputa da Rio-16, ela foi vaiada pela torcida, que demonstrava conhecer a rivalidade entre as duas. A derrota de Mayra para a francesa Audrey Tcheumeo impediu o confronto.
Após conquistar a medalha de ouro, Kayla deixou sua marca registrada. Sorrindo, lançou faixas pretas para o público e tirou selfie com torcedores. Deu até a medalha para uma menina segurar.
A alegria misturava-se com alívio. Questionada se não seria jovem para se aposentar, Kayla respondeu: "Sinto-me como se estivesse com 56. Você já fez judô? Sabe o que ele faz com o seu corpo? Não posso fazer isso com meu corpo e minha mente por mais quatro anos."
