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Soldado baleado queria experiência dos Jogos e juntar dinheiro para trocar carro

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ALFREDO MERGULHÃO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Escalado pela segunda vez para trabalhar pela Força Nacional em um megaevento no Rio, o soldado Hélio Vieira Andrade, 35, conhecia a violência na cidade e sabia do risco de ser baleado em um confronto com bandidos, segundo a família.

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O militar de Roraima atuou na cidade durante a Copa do Mundo de 2014.

Vieira foi atingido na cabeça na tarde de quarta-feira (10) quando uma viatura errou o caminho e entrou na Vila do João, no complexo da Maré, dominada pelo tráfico de drogas. Outro militar ficou ferido e um escapou ileso.

"Quando ele foi escalado, ele comentou que a cidade está cada vez mais violenta. Antes de cada plantão ele telefonava e pedia para a gente colocar o nome dele nas orações", disse a irmã do policial, a professora Edilene Vieira Andrade, 33.

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"Pelo que ele falava nas ligações e escrevia em cada postagem no Instagram, a sensação que a gente tinha era de que ele poderia não voltar mais após vestir a farda no Rio de Janeiro e sair para trabalhar", acrescentou.

O policial tinha receio da violência no Rio desde sua primeira passagem pela cidade, em 2014. Mas pesou a vontade de ter a experiência profissional de trabalhar na operação especial de segurança da Olimpíada e a necessidade de juntar dinheiro para trocar de carro, de acordo com a família.

"O Hélio é uma pessoa muito forte. Temos muita fé de que ele vai se recuperar. Quero pensar que o pior já passou, que foi quando divulgaram que ele estava morto. Entramos em desespero nessa hora. Ainda bem que ele está vivo", contou a professora.

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Um irmão e o marido de Edilene viajam hoje ao Rio para acompanhar o militar no Hospital Municipal Salgado Filho, onde foi operado. O voo deles chega às 22h.

A família do capitão Alen Marcos Rodrigues Ferreira, que levou um tiro de raspão e foi atingido por estilhaços, ficou surpresa com a notícia do ataque dos traficantes.

"O Alen sabia que a cidade é violenta, mas ele estava trabalhando no campo de golfe, que é bastante tranquilo. Foi um incidente que infelizmente ocorreu, por um acaso", afirmou a professora Lucélia Rocha, 25.

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"Ele tinha muita vontade de ir e aproveitou justamente o período da Olimpíada, porque são apenas seis meses. Nas outras vezes que ele foi chamado para a Força Nacional, era para ficar um ano fora do Acre. Por isso ele recusava", contou Lucélia.

O capitão tem 41 anos e integra o COE (Comando de Operações Especiais) do Acre.

"Eu gostaria muito que ele voltasse, mas acho que ele vai ficar até o final da missão. A gente conversou ontem e percebi que essa é a vontade dele", afirmou Lucélia.

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