Reino Unido e Argentina retomam conversa sobre voos para Malvinas
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A Argentina e o Reino Unido retomaram um tom cordial nas conversas sobre as ilhas Malvinas, território britânico reivindicado pelos argentinos.
A nova primeira-ministra britânica, Theresa May, enviou uma carta ao presidente Mauricio Macri neste mês em que reconhece as diferenças entre os países, mas afirma querer avançar em assuntos como novas rotas aéreas para as ilhas e redução de medidas restritivas de exploração de petróleo na região do arquipélago. O jornal "Clarín" teve acesso ao documento.
Hoje, há apenas um voo por semana para as Malvinas. O avião sai de Punta Arenas, no Chile, e tem permissão para passar pelo espaço aéreo argentino graças a um acordo firmado entre Londres e Buenos Aires em 1999.
Durante o governo de Cristina Kirchner (2007-2015), porém, a relação entre os países passou por uma fase delicada, com a mandatária pedindo aos argentinos para deixarem de importar produtos britânicos e ameaçando suspender o acordo aéreo após Londres se recusar a negociar a soberania das ilhas.
Também sob o kirchnerismo, a Justiça argentina embargou bens de petroleiras britânicas que exploravam o litoral das Malvinas.
Desde que Macri assumiu a Casa Rosada, no entanto, há uma tentativa de reaproximação. A candidatura da chanceler argentina, Susana Malcorra, à secretaria-geral da ONU fez com que o discurso de Buenos Aires se suavizasse ainda mais -o futuro líder do órgão precisa da aprovação de todos os membros do Conselho de Segurança, e o Reino Unido é um deles.
Nesta quarta (10), Malcorra disse que a questão dos voos e da exploração de petróleo vinha sendo conversada durante a gestão de David Cameron, que renunciou em julho.
Ainda não houve uma reunião oficial entre o governo argentino e o de May, mas a primeira-ministra afirmou, também na carta, que espera continuar o trabalho com a Argentina para que a relação entre os países "entre em uma fase mais produtiva".
