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Sem placa, taxistas evitam corredor de ônibus mesmo após liberação

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SIDNEY GONÇALVES DO CARMO, LUISA LEITE E DANIEL MÉDICI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em maio, o prefeito Fernando Haddad (PT) liberou a circulação de táxis nos corredores de ônibus da cidade. Mesmo assim, taxistas evitam rodar nos corredores, com medo de serem multados.

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A medida foi tomada para acalmar os taxistas insatisfeitos com a legalização do Uber, aplicativo que conecta motoristas particulares a passageiros. O recuo, porém, acabou gerando confusão entre os motoristas.

Josme Monteiro, 69, é taxista há 15 anos. Para ele, a sinalização desatualizada nas vias da cidade o deixam com receio de utilizar os corredores.

"Me disseram que posso rodar no corredor de ônibus. Mas na avenida São Gabriel, por exemplo, algumas placas dizem que há uma restrição de horário" diz. "Eu fico me perguntando, será que pode? Acabo evitando andar ali, a não ser que o passageiro solicite."

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De acordo com a nova regra, os motoristas têm permissão para usar o corredor de ônibus, à esquerda das avenidas, em qualquer horário, desde que estejam com um passageiro.

Antes, os taxistas estavam proibidos de utilizar o espaço dos corredores de ônibus nos horários de pico (das 6h às 9h e entre 16h e 20h), de segunda a sexta.

A mesma portaria também permitiu aos táxis utilizarem as faixas exclusivas, à direita das vias, com ou sem passageiros, a qualquer horário.

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A sinalização nas vias, porém, não deixa isso claro. Nos corredores de ônibus, as placas avisam que é "permitido táxi nos horários e condições autorizadas", sem esclarecer quais são os horários e condições. A permissão é restrita aos táxis e não se aplica a serviços particulares de motorista, como o Uber.

O aplicativo 99Taxis disse à reportagem que recebe constantemente relatos de taxistas que se recusam a usar os corredores por receio de serem multados. "Esperamos que o Poder Público atualize as informações nas placas" afirmou a empresa, em nota.

Flávio Arnaldo, 25, começou a trabalhar como taxistas para a 99 há três meses. "Eu conheço as regras porque eles [a empresa] nos informam sobre qualquer mudança, o que é de grande ajuda. Mas no meu ponto, na rodoviária da Barra Funda, diversas vezes colegas saltaram do carro para vir me perguntar se podiam ou não andar nas faixas, em quais horários, etc".

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O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra, afirmou que há algumas falhas de sinalização, mas que o motorista conhece bem a cidade. "Se algum taxista tiver alguma dúvida, deve ligar para o sindicato. Isso é uma das coisas boas que o prefeito fez para os taxistas e isso favorece toda a população usuária de táxi."

VELOCIDADE MÉDIA

A mudança é um recuo na administração de Haddad, que, em 2013, havia proibido táxis nos corredores por afetar a velocidade dos ônibus. Para justificar a alteração, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que durante esse período "não se detectou redução da velocidade comercial dos ônibus".

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Um levantamento feito pela secretaria após a liberação mostra que não houve prejuízo da velocidade média de circulação dos coletivos na capital paulista. A velocidade média dos corredores de ônibus (à esquerda) subiu de 20 km/h para 23 km/h na comparação entre os primeiros semestres de 2015 e 2016.

Já a velocidade nas faixas exclusivas (à direita) saltou de 18 km/h para 21 km/h, de acordo com os dados da administração petista. Apesar da melhora, a meta de 25 km/h ainda não foi atingida. Atualmente, a cidade tem mais de 500 quilômetros de faixas.

O relatório completo da velocidade dos ônibus na cidade, com detalhamento por vias e horários, porém, não foi fornecido à reportagem. Sem ele, não é possível saber os gargalos do sistema e apontar uma eventual melhoria concentrada em apenas parte dos corredores, por exemplo.

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A velocidade, segundo a prefeitura, é calculada a partir de dispositivos de localização por satélite instalados na frota de coletivos, atualmente de quase 15 mil veículos. São consideradas as informações somente dos dias úteis.

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