Garota propaganda da Rio-16 se 'reinventa' para competir nos Jogos
ITALO NOGUEIRA, RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em 2009, a maioria dos atletas se concentravam no ciclo olímpico para Londres-2012. A velejadora Isabel Swan tinha mais um objetivo: ajudar o Rio a conquistar a Olimpíada de 2016.
Garota-propaganda da exitosa campanha entre dirigentes do COI (Comitê Olímpico Internacional), ela não teve vaga garantida no evento que ajudou a conquistar. Teve que se "reinventar" para entrar nesta quarta-feira (10) na baía de Guanabara e disputar a Olimpíada.
Swan não conseguiu a vaga na classe 470, que disputava há mais de dez anos e conquistou a primeira medalha feminina do Brasil na vela em Pequim-2008. Há pouco mais de um ano da Olimpíada, decidiu tentar em outro barco, a nacra 17.
"Me adaptei ao barco. Foi um processo difícil. Tive pequenas lesões, já cheguei numa batida forte. Não foi fácil me adaptar como atleta", disse Swan.
A nacra é conhecida como a Fórmula 1 da vela. A alta velocidade dos barcos faz com que os velejadores por vezes tenham que usar capacetes. Na adaptação, a atleta acumulou roxos e pequenas lesões.
Swan faz dupla com Samuel Albrecht na única classe de equipe mista nos Jogos. Apesar do entrosamento recente, foram escolhidos como representantes da categoria pelo Brasil --2014;eles teriam índice olímpico mesmo que os Jogos não fossem no Rio.
"Já tive que chegar num ritmo e render logo em pouco tempo. Não foi fácil. O atleta está aí para isso. Desistir não está no meu vocabulário", disse Swan, 32.
O esforço da atleta teve como objetivo não repetir o trauma de Londres-12, quando não conseguiu a vaga na classe 470 em dupla com Martine Grael. "Recomeçar não é fácil. Tem que abaixar a cabeça e ter muita humildade. Isso me torna mais forte e preparada."
BAÍA
Swan participou ativamente da campanha por questões práticas, políticas e diplomáticas. Falava bem inglês, representava um dos principais projetos de legado da candidatura (a despoluição da baía de Guanabara) e praticava o esporte do então presidente do COI, Jacques Rogge, que representou a Bélgica em três edições dos Jogos (1968, 1972 e 1976).
A Olimpíada veio, mas a baía segue imunda. Swan diz lamentar o não-cumprimento da promessa, mas ressalta a dificuldade da meta de tratar 80% do esgoto lançado.
"É um projeto complicado. Envolve uma série de atores. Indústria, saneamento básico, rede coletora, licenciamento. É um projeto complexo que envolve diversas esferas de poder", disse Swan.
A velejadora foi uma das que sofreu com o lixo na baía. No evento-teste do ano passado, o barco da dupla virou após um saco plastico prender na quilha da embarcação. Ela diz que os detritos não deverão ser problema para as competições, que vão até o dia 18.
Na campanha pela Rio-16, ela dividiu espaço com políticos atualmente sob investigação da operação Lava-Jato: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Ela diz não sentir constrangimento pelas antigas companhias.
"Era o momento político. Quem tivesse no poder estaria lá. A gente tinha uma expectativa do Brasil estar bem, mas não está como a gente esperava. Hoje [o país] passa por diversas problemas de corrupção. Mas é importante para o Brasil essa limpeza", disse a velejadora.
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