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Campeã dorme pouco após ouro e já projeta bi em Tóquio-2020

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MARCEL RIZZO, ENVIADO ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Rafaela Silva diz que ainda não caiu a ficha, mas ela quer mais. O ouro conquistado na Rio-2016 nesta segunda-feira (8), na categoria até 57 kg do judô, o primeiro do Brasil na Olimpíada em casa, teve um gosto tão agradável à judoca que ela já pensa quatro anos à frente.

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"Sou nova [24 anos], quero continuar no judô, lutando, quero sentir essa sensação de ganhar uma Olimpíada de novo. Quero o ouro em Tóquio [2020]", disse Rafael Silva nesta terça (9) pela manhã, em entrevista na sede que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) alugou em um shopping do Rio para fazer de casa do Time Brasil.

O cansaço estava no rosto de Rafaela, após pouco mais de três horas de sono. Entrevistas, afago da família e contato com amigos a fez dormir apenas às 4h de terça. Pouco menos de três horas depois, acordou com alguns atletas batendo na porta de seu apartamento na Vila Olímpica. Queriam ver a medalha.

"É emocionante ver esse carinho. nas redes sociais, por exemplo, recebi mensagens do Neymar, da Marta [do futebol feminino], da [cantora] Ludmila. Pessoas que sempre quis ter alguma proximidade, e agora estavam me parabenizando", afirmou a campeã olímpica.

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O título olímpico fez Rafaela Silva fechar a "tríplice coroa" do judô. Ela foi campeã mundial júnior [em 2008], campeã mundial sênior [2013] e, agora, ouro olímpico.

A gana de vencer nasceu da infância na Cidade de Deus, comunidade carente do Rio. As histórias de como precisava brigar até com meninos para não perder o tênis já são famosas e levaram a atleta a canalizar qualquer raiva existente no judô.

Até mesmo a raiva de sofrer racismo depois de eliminação precoce na Olimpíada de Londres-2012, quando sofreu injúrias nas redes sociais. Para estes, o recado é direto.

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"Só de ser negra você já é mal vista na rua, as pessoas tiram a bolsa de perto de você. E eu, na comunidade, nunca pensei que fosse disputar uma competição. Apostaram no meu potencial, e hoje estou aqui", disse a brasileira.

Agora ela quer torcer para Mayra Aguiar, que lutará na categoria até 78 kg na quinta (11). Mayra é a inspiração de Rafaela Silva, apesar de apenas um ano mais velha.

"Ela também pode ter os três títulos [júnior, sênior e olímpico]. sempre me inspirei na força dela, na vontade. E agora vou torcer para ela conseguir", disse.

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