De véu, amuçulmanas ignoram desconforto para competir
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A foto da egípcia Doaa Elghobashy subindo à rede no vôlei de praia contra a alemã Kira Walkenhorst foi publicada por sites e jornais do mundo todo. Menos pelo jogo, mais pela imagem.
Enquanto a alemã usava um biquíni, traje comum no esporte, a egípcia vestia calça e "hijab" (palavra árabe usada para peças que cobrem o corpo seguindo a lei islâmica, como um véu).
Ao lado de Nada Meawad, 18, a dupla --primeira do país no vôlei de praia em Olimpíadas-- joga nesta terça-feira (9), às 12h, contra as italianas Giombini/Menegatti buscando a primeira vitória na Rio-2016. Elas perderam o primeiro jogo contra a Alemanha por dois sets a zero.
"Visto o 'hijab' há dez anos. Isso não me impede de fazer as coisas que eu amo, e vôlei de praia é uma delas", afirmou Elghobashy, 19, após a partida. É com essa atitude que algumas atletas estão competindo nos Jogos Olímpicos do Rio.
Elghobashy estará novamente vestindo seu "hijab" ao representar seu país na Olimpíada. Além dela, outras muçulmanas competiram usando o adereço.
No remo, a iraniana Mahsa Javar acabou eliminada na categoria single-skiff nesta segunda (8), após terminar sua bateria da repescagem em terceiro. O melhor resultado até hoje da atleta de 22 anos foi medalha de prata no último mundial sub-23, em 2014, na categoria double-skiff.
No mesmo dia, Ayesha Al Balushi, dos Emirados Árabes Unidos, encerrou sua participação na Rio-2016 na última posição, e a americana Ibtihaj Muhammad --que fez história ao ser a primeira do país a competir com "hijab"-- perdeu para a francesa Cecilia Berder nas oitavas de final da esgrima, categoria sabre.
Pelo menos uma outra muçulmana ainda tentará fazer história na Rio-2016 usando véu: Sarah Attar, na maratona. Em Londres-2012, ela se tornou a segunda mulher da história da Arábia Saudita a competir em uma Olimpíada. A primeira foi a judoca Wojdan Shaherkani, aos 16 anos, que também competiu de véu.
