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Sírios fazem aplicativo para ajudar refugiados com burocracia alemã

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O estudante sírio Ghaith Zamrik, 19, sobreviveu a anos de guerra civil e conseguiu alcançar, em 24 de dezembro passado, a meta de centenas de milhares de conterrâneos: cruzar o Mediterrâneo e chegar à Europa.

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Mas, uma vez na Alemanha que o acolheu, Zamrik passou a enfrentar outro monstro: a burocracia. O refugiado conta à reportagem que passou meses até entender a que postos de informação tinha de ir, e nesse longo caminho assinou papéis em alemão sem entendê-los.

Agora, aliado a outro refugiado, Zamrik está desenvolvendo um aplicativo para celulares que poderá ajudar recém-chegados -não necessariamente sírios- a entender os trâmites alemães e, assim, facilitar a integração.

"Se esse aplicativo existisse quando eu cheguei, minha vida teria sido mais fácil", diz. O programa deve traduzir a papelada burocrática e explicar, passo a passo, quais são os trâmites necessários para cada situação.

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Um mapa ajudará no deslocamento entre escritórios do governo, uma etapa que costuma tomar tempo de imigrantes diante de aparatos burocráticos europeus.

OPORTUNIDADES

O caminho de Zamrik entre a Síria e a Alemanha, como o de outros refugiados, foi longo e árduo. Ele viajou de barco e passou por Líbano, Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Eslovênia e Áustria, até estabelecer-se ali.

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Mais de 1 milhão de refugiados foram recebidos pela Alemanha em 2015, parte deles fugindo de conflitos como a guerra civil na Síria, em andamento desde 2011.

Zamrik diz ter escolhido migrar à Alemanha porque enxergava, ali, oportunidades para seu futuro. "As pessoas são acolhedoras, apesar de que todo o mundo teve boas e más experiências", diz. "O bom é que há muitas pessoas dispostas a ajudar."

Entre essas pessoas está a ReDI, uma organização alemã que ensina computação a refugiados em Berlim. Zamrik e seu colega, Munzer Khattab, 23, estão desenvolvendo o aplicativo -que chamam de Bureaucrazy- a partir desse aprendizado.

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O refugiado hoje estuda alemão e planeja entrar nos estudos preparatórios para a universidade de computação. Na Síria, ele se preparava para estudar engenharia.

O futuro do aplicativo ainda é incerto. A dupla prefere terminar de desenvolvê-lo sozinhos, como começaram, o que levaria a mais um semestre de trabalho.

Caso tenha apoio, pode lançar um protótipo em um ou dois meses. Eles devem tentar arrecadar fundos via "crowdfunding" (espécie de financiamento coletivo, via internet).

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O Bureaucrazy, que conta com a equipe de outros quatro refugiados sírios, deve ser gratuito. "A proposta é ajudar as pessoas, e não tirar dinheiro delas", diz Zamrik.

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