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Vítima de racismo, Rafaela Silva evitou a internet antes da medalha

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Rafaela Silva, primeira campeã olímpica do Brasil na Rio-2016, revelou nesta segunda (8) que evitou entrar na internet antes da competição. "Não estava tendo muito acesso justamente por causa desses comentários", disse, em referência ao episódio ocorrido logo após sua eliminação na Olimpíada de Londres, quando sofreu injúria racial de internautas que a criticavam pela derrota.

Rafaela, à época, respondeu os comentários racistas com ofensas pesadas e acabou advertida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que também lamentou o fato provocador. Nesse momento, a judoca chegou a pensar em desistir da carreira, momento bem diferente do de agora.

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"Estava com um foco muito definido, que era me concentrar bem, fazer uma boa competição e não ligar para qualquer comentário, porque a gente via que tinha alguns desnecessários. Falavam que lugar de macaco é na jaula e não na Olimpíada", contou. Para ela, absurdo ainda maior em um esporte que tem o francês campeão olímpico Teddy Riner como sua grande estrela. "Ele é o ícone do meu esporte e ele é negro."

Questionada se queria mandar um recado a seus detratores, Rafaela disse que não. "Não tem recado, só tem a medalha no meu peito."

CONFIANÇA

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Após a conquista do primeiro ouro do Brasil na Rio-2016, o técnico que descobriu Rafaela Silva, Geraldo Bernardes, disse que a brasileira "tinha o problema de achar que não dava para ganhar".

"Principalmente com a mongol ela tinha esse problema. E ela resolveu isso", afirmou Bernardes.

O técnico afirmou que sempre soube que treinava uma atleta de alto nível.

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"Desde os oito anos de idade, quando ela começou comigo, ela tinha essa questão da agressividade. Ela estava em um lugar onde era 'essa bola é minha, deixa que eu chuto'. Era preciso canalizar isso. Falei para ela e para irmã que um dia as colocaria na seleção brasileira. Sabia que tinha um diamante bruto", disse Bernardes.

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