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ATUALIZADA - Rafaela Silva conquista ouro para o Brasil

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SÃO PAULO, SP E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A judoca carioca Rafaela Silva, 24, conquistou o lugar mais alto do pódio nesta segunda-feira (8) na categoria leve (até 57 kg). Ela venceu a mongol Sumiya Dorjsuren, número um do mundo, na final do judô. É o primeiro ouro do Brasil na Olimpíada do Rio.

Assim como quando conquistou o Mundial no Rio, em 2013, ela se ajoelhou no tatame e comemorou. Pulou para a arquibancada e foi comemorar com a família e amigos que assistiam à luta na Arena Carioca 2.

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Rafaela aplicou um waza-ari pouco depois de um minuto de luta. A marcação do golpe exigiu a consulta ao vídeo por parte dos árbitros.

No decorrer da luta, a brasileira conseguiu se livrar de um golpe perigoso da mongol. Aos poucos, ela conseguiu fugir das tentativas de ataque da adversária.

Rafaela Silva supera assim uma derrota traumática em Londres-12, quando foi eliminada logo no começo da competição. Após a queda, ela discutiu com torcedores na internet. Alguns fizeram ofensas racistas contra a judoca e ela quase abandonou o judô.

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FESTA

Lágrimas e gritos de "é campeão" tomaram a sala do Instituto Reação, na Cidade de Deus, onde amigos e parentes da judoca Rafaela Silva assistiram à luta.

Eles chegaram a comemorar o ouro quando a atleta aplicou um wasa-ari e depois fizeram contagem regressiva nos últimos segundos da disputa. "Agora é só comemorar. A Rafaela mostrou para todo o mundo que é preciso acreditar nas pessoas. Acreditaram nela e hoje ela é medalha de ouro", disse a auxiliar de serviços gerais Cristiane Silva, 40, tia da atleta.

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A conquista de Rafaela Silva foi celebrada principalmente nas ruas da Cidade de Deus, favela da zona oeste do Rio onde a atleta cresceu. Os moradores gritaram pelas ruas e soltaram fogos de artifício para celebrar o lugar mais alto do pódio.

"Foi incrível. Soltaram foguete, a meninada saiu correndo pela rua, comemorando", contou a dona de casa Sônia Silva, tia de Rafaela.

OFENSAS RACISTAS

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A derrota na primeira luta em Londres-12 doeu. Mas foram ofensas racistas após o fracasso que quase tiraram Rafaela Silva do judô.

Após perder para a húngara Hedvig Karakas na primeira luta da competição, Rafaela buscou apoio na torcida pela internet. Encontrou ofensas raciais.

"Parece que é besteira para os outros, mas ela quase parou. Fez o maior esforço para representar o país. Quando vai entrar na internet para ver se tem algum apoio, só vê gente chamando de macaca. Ficou desanimada", disse o pai da judoca, Luiz Carlos do Rosário Silva, 50.

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Ela respondeu, discutiu com torcedores e acabou sendo advertida pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), que também criticou as ofensas raciais.

A CBJ (Confederação Brasileira de Judô) teve de fazer uma espécie de operação, com apoio de Bernardes e psicólogos, para recuperar a atleta.

O reerguimento não poderia ter sido melhor. Ela se tornou a primeira brasileira campeã mundial, no Rio, em 2013.

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Após a conquista, ela teve um ciclo olímpico instável. Ficou em 5º lugar no Mundial seguinte e não participou dos demais.

Criada na Cidade de Deus, a oito quilômetros do atual Parque Olímpico da Barra, Rafaela era conhecida na favela como uma menina brigona.

Aos cinco anos, sua mãe, Zenilda Lopes da Silva, 45, decidiu colocar a menina para lutar judô. Ela foi descoberta pelo treinador Geraldo Bernardes, ex-técnico da seleção brasileira.

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Quando começou no esporte, a família já havia parado de pular de casa em casa. Juntou recursos para comprar um barraco na comunidade. Mas teve de dormir sobre jornal para ajeitar o local.

"A casa não era uma casa. Vazava água da laje toda. A laje toda quase caindo. A gente não podia sair da casa porque ainda estava pagando. Ou a gente consertava a casa, ou a gente morava nela. Como compramos ela com dificuldade, dormíamos no jornal [até consertar os problemas]. Era como se morássemos na rua. A gente se cobria com o que tivesse", disse a mãe da judoca.

No início, as competições do judô eram uma diversão para Rafaela. As lutas de quatro minutos eram intervalos para as brincadeiras com os colegas do esporte.

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Ela passou a se interessar pela profissionalização após ver a irmã, Raquel Silva, 27, também judoca, subir na carreira.

"No começo não levava a sério. Mas quando a irmã começou a se destacar e viajar, ela ficava chorando dizendo que queria viajar. Agora ela viaja mais do que a irmã", disse a mãe.

Aos poucos, a brincadeira passou a ser profissão. Em 2008, ela foi campeã mundial júnior em Bangkok (Tailândia). As vitórias a transformaram numa chefe de família: passou a bancar a reforma da casa dos pais e ajudar a irmã.

A família saiu da Cidade de Deus -onde ainda moram os tios- e mora agora no Anil, bairro de classe média baixa da zona oeste do Rio. No último ano, comprou uma Kombi para o pai fazer frete e transporte de passageiros. Deu um carro para mãe e para a irmã. Mora no Méier (zona norte), onde busca se concentrar na profissão.

O próximo projeto, a ser financiado com o prêmio da medalha de Rafaela, é terminar o acabamento do terraço da casa, que ainda tem ferragens expostas.

"Ela é como se fosse um pai para mim. Ela me dá coisas que meu marido não tem condições de dar", disse a mãe. (ITALO NOGUEIRA)

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