Milhares vão às ruas de Istambul em demonstração de força de Erdogan
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Centenas de milhares de turcos foram às ruas de Istambul convocados pelo presidente Recep Tayyip Erdogan para denunciar a tentativa de golpe de Estado do último dia 15 de julho.
Não há uma estimativa oficial de quantos participaram do ato, mas a imprensa turca chega a falar em milhões de pessoas.
A boa adesão ao ato serviu para Erdogan mostrar sua força diante não apenas da recente tentativa de golpe, mas também das críticas do Ocidente ao decreto de estado de emergência que pode ameaçar os direitos democráticos dos turcos.
O Rali dos Mártires e da Democracia reuniu manifestantes em um mar de bandeiras do país e cartazes de apoio com frases como "você é um presente de Deus, Erdogan" ou "mande-nos morrer e nós o faremos".
"Nós estamos aqui para mostras que essas bandeiras não vão ser abaixadas, o pedido para orar não será silenciado e o nosso país não será dividido", disse Haci Mehmet Haliloglu, 46, que viajou da cidade de Ordu, no mar Negro, para participar do ato.
"Isto é algo muito além de política. Isto é sobre nossa liberdade ou morte", continuou, segurando uma bandeira vermelha do país.
Líderes religiosos e representantes de dois dos três partidos de oposição participaram do ato e se sentaram ao lado de Erdogan, que chegou ao local de helicóptero junto à mulher, Emine. O Partido Democrático do Povo, pró-curdos, não foi convidado.
O evento começou com um minuto de silêncio pelas 239 vítimas da tentativa de golpe, seguido pelo hino nacional e orações.
Um palco de 60 metras foi montado para o evento, emoldurado por enormes bandeiras turcas e banners com o rosto de Erdogan e de Mustafa Kemal Ataturk, fundador do país.
"O triunfo é da democracia, as praças são do povo", diziam folhetos colocados sob as portas de casas da capital na noite deste sábado (6), avisando que haveria transporte gratuito para quem quisesse participar do ato.
O evento foi transmitido em telões gigantes em todas as províncias turcas e multidões se reuniram para acompanhar as imagens nas principais cidades.
Desde o golpe fracassado, dezenas de milhares de pessoas foram suspensas, detidas ou colocadas sob investigação pelo governo Erdogan ?incluindo soldados, policiais, juízes, jornalistas, médicos e servidores públicos. Aliados ocidentais temem que o presidente, que governa desde 2002, esteja usando a reação ao ato para consolidar seu poder.
Erdogan acusa Fetullah Gulen, clérigo exilado nos Estados Unidos, de planejar a tentativa de golpe e pede sua extradição. Os EUA exigem provas do seu envolvimento.
