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Formadores de campeões no judô, dinastia Shinohara chegará ao fim

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MARIANA LAJOLO, ENVIADA ESPECIAL E ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Desde Atenas-04, o treinador Luiz Shinohara, 61, está a frente da seleção masculina de judô, personalizando o peso da família no esporte.

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Seu pai, Masao Shinohara, 91, formou três medalhistas olímpicos na associação que funciona no quintal de sua casa. Também comandou o início da série vitoriosa do judô brasileiro, em Los Angeles-84, desde quando o país garante em cada edição presença no pódio.

A partir de Tóquio-2020, a família Shinohara voltará a contribuir de casa para o judô brasileiro. Luiz Shinohara deve deixar o comando da seleção.

"A gente tem que dar espaço para outros treinadores. Talvez consigam fazer um trabalho até melhor", disse ele.

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A saída do atual treinador é tratada como tabu na CBJ. O gestor de alto rendimento, Ney Wilson, disse que ainda não há definição sobre o fim do ciclo da família.

Mas o treinador parece decidido. Um de seus desejos é voltar a treinar na Associação Vila Sônia, fundada por seu pai há 50 anos.

"Gostaria de ir para uma área mais de treinamento do que de competição. Pretendo voltar ao tatame da academia também. Nesses 14 anos praticamente não entrei lá. Vou tentar reaprender um pouquinho mais", declarou.

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Na Vila Sônia foram formados o campeão olímpico Aurélio Miguel, bem como os medalhistas Luis Onmura e Carlos Honorato.

Medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de San Juan-79, Luiz também foi formado lá, com uma dose extra do estilo rigoroso do pai.

"Graças aos ensinamentos do meu pai, a associação contribuiu em algum momento para que alguns atletas alcançassem o objetivo maior de poder desfrutar de uma medalha Olímpica. Muitos outros, mesmo sem ter passado nem perto deste objetivo, conseguiram êxito na sua boa formação, se tornando pessoas muito bem sucedidas na sociedade", disse Shinohara.

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Luiz afirma que a relação com o pai tem discordâncias.

"Como a maioria dos filhos que tentam atuar no mesmo espaço de trabalho, existe sempre alguma discordância devido à dificuldade de atualização ou modernidade de pensamentos. Mas tudo isso é sanado quando se respeita a experiência", afirmou.

No comando da seleção, o treinador obteve seis medalhas de bronze em Olimpíadas antes da Rio-16. Não passou em branco em nenhuma edição. Nestes Jogos, ele conta com uma equipe mesclada: três medalhistas olímpicos e quatro estreantes no evento.

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Sem um ouro no currículo como treinador do Brasil até esta Olimpíada, ele diz não saber o que o separa do topo do pódio.

"O mais difícil do judô é não conseguir identificar o que exatamente aconteceu na luta que você perdeu. Não há uma fórmula para ser campeão. É empenho, empenho, empenho. Mas às vezes nem isso sempre é o bastante."

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