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Justiça cancela ordem de prisão contra líder das Mães da Praça de Maio

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LUCIANA DYNIEWICZ

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Um dia após mandar deter a presidente da associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, por ela se recusar a depor duas vezes, a Justiça argentina cancelou a ordem de prisão.

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Bonafini havia sido convocada para falar sobre um caso que investiga desvio de dinheiro público destinado a construção de casas populares.

O programa era organizado pelas Mães da Praça de Maio e financiado pelo governo de Cristina Kirchner (2007-2015), mas foi interrompido após denúncias de corrupção.

A defesa de Bonafini apresentou um pedido para que se cancelasse a prisão e afirmou que a ativista de direitos humanos se comprometia a se apresentar à Justiça na próxima semana.

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Bonafini, 87, é um dos maiores símbolos de resistência da última ditadura argentina (1976-1983) por ter sido uma das fundadoras da entidade que busca os desaparecidos do período. Seus dois filhos e sua nora estão entre os desaparecidos.

Após a ordem de prisão, na quinta, militantes kirchneristas impediram a polícia de entrar na entidade e levar Bonafini. Eles formaram um cordão humano ao redor da sede da associação.

O caso que envolve Bonafini é mais um dentre vários que investigam o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, denunciada por lavagem de dinheiro, falsificação de documento público e má administração de recursos públicos.

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Todos esses processos ganharam velocidade após a chegada de Mauricio Macri à Presidência, em dezembro do ano passado.

Bonafini é bastante próxima de Cristina. A ex-mandatária deu apoio financeiro às ações sociais das Mães da Praça de Maio e impulsionou o julgamento dos responsáveis pela ditadura.

Apesar de ser reconhecida como ativista de direitos humanos, Bonafini é questionada por muitos no país por adotar uma postura radical. Anti-americana, ela afirmou em 2001 que havia se alegrado quando soube do atentado às Torres Gêmeas, em Nova York.

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Sete anos depois, em um protesto dentro da Catedral de Buenos Aires, ela fez suas necessidades em um balde próximo ao altar e denunciou o então cardeal Jorge Bergoglio (hoje papa Francisco) de haver trancado os banheiros da igreja.

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