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ATUALIZADA - Presos de RN esperam três horas em aeroporto e não são transferidos

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RENATA MOURA

NATAL, RN (FOLHAPRESS) - Sem autorização para decolarem, 21 detentos suspeitos de liderarem a série de ataques no Rio Grande do Norte que seriam transferidos para presídios federais nesta sexta-feira (5) ficaram esperando três horas no aeroporto até receberam a notícia de que deveriam retornar ao presídio estadual de Parnamirim, onde estavam alocados e cujo local foi alvo de uma rebelião e incêndio no dia anterior.

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Procurado, o governo Robinson Faria (PSD) não havia se manifestado até as 18h30 sobre o motivo de a transferência não ter acontecido para os presídios federais de Porto Velho (RO), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR).

Os presos chegaram a ser removidos do presídio de Parnamirim em carros da polícia e levados até o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, onde esperaram pelo embarque, por volta do meio dia. Sem a autorização, precisaram retornar à mesma unidade prisional às 15h.

A reportagem apurou que houve um "problema administrativo" na transferência, mas os próprios funcionários do presídio ainda não haviam sido informados do motivo nem de quando ocorreria a transferência. O Consórcio Inframérica, que administra o aeroporto, disse não ter informações nem acesso à lista de passageiros que embarcariam.

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No presídio estadual de Parnamirim, foi instalado o primeiro bloqueador de sinal de celular, na semana passada, e é o principal argumento do governo potiguar para explicar o motivo dos ataques em série de criminosos.

A tentativa de transferir presos seria a segunda medida tomada pelo Estado em reação aos ataques, depois da chegada de tropas do Exército ao Estado, na quarta-feira (3).

O presidente interino Michel Temer (PMDB) autorizou o reforço de militares no domingo (31), mas as tropas só chegaram três dias depois. Na primeira explicação, o Exército informou que o pedido só foi recebido oficialmente na terça; depois, questionado novamente, afirma que os três dias foi o prazo necessário para mobilizar o efetivo de outros Estados.

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TRÉGUA

Depois de cinco dias seguidos de incêndios e disparos contra prédios públicos, nesta sexta-feira (5) não houve registro de novos ataques. O último caso ocorreu na quinta, com um incêndio de dois quiosques no município de Lagoa Salgada, a 52 km de Natal.

Também na quinta, durante a madrugada, detentos do presídio de Parnamirim fizeram uma rebelião e tentaram danificar os bloqueadores de celulares, colocados na semana passada. A instalação dos aparelhos, segundo o governo potiguar, é o principal argumento do governo para explicar o motivo da sequência de atentados.

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O Estado, porém, não incluiu o episódio do presídio no balanço das 109 ocorrências em 33 cidades, incluindo incêndio a ônibus e ataques a bases policiais, segundo último balanço do governo potiguar. A lista inclui ao menos 63 incêndios, 31 tentativas de incêndios, sete disparos contra prédios públicos e proximidades, quatro envolvendo artefatos explosivos e quatro depredações.

No grupo a ser transferido está o traficante João Maria dos Santos Oliveira, 32, conhecido como "João Mago", que seria um dos líderes do "Sindicato do Crime" do RN, grupo criminoso apontado como articulador dos ataques registrados em Natal e Região Metropolitana.

Ele estava foragido da penitenciária de Parnamirim, mas foi recapturado domingo passado.

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EXÉRCITO

A onda de ataques mudou a rotina no Estado desde quarta. Cerca de 1.350 homens, entre Exército, Marinha e Força Aérea, começaram a realizar patrulhamentos dentro da chamada Operação Potiguar.

Só do Exército são cerca de mil militares, provenientes de Pernambuco, Paraíba e do interior potiguar. Outros 524 estão no Ceará e poderão ser acionados se houver necessidade de mais reforço.

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No primeiro dia de presença efetiva dos militares na rua, nesta quinta, houve patrulhamento em áreas turísticas, comerciais e de maior fluxo de transportes e pessoas.

A atuação está restrita à capital e Região Metropolitana porque, segundo a Secretaria de Segurança foi onde começaram as ocorrências e também onde foi registrado o maior número delas.

A presença das tropas, inicialmente, está autorizada até o dia 16 de agosto. Nesta quinta, o governador pediu ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, em Natal, que estenda a permanência dos militares no Estado "por 30 dias ou até dois meses", mas a formalização do pedido, que precisa ser feita à Presidência da República, "ainda está em andamento e deverá ser enviada em breve".

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A ampliação do prazo seria necessária, segundo o governador, para que o bloqueio aos celulares seja instalado em todas as unidades prisionais.

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