Haddad diz que desconhecia ação da polícia na cracolândia
LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta sexta-feira (5) que desconhecia a operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas na região da cracolândia, no centro de São Paulo, até o início da manhã, quando ação já estava em andamento.
O petista disse que havia alertado a polícia sobre o tráfico de drogas no hotel em que a operação classificou como "quartel general" da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). O hotel, localizado na rua Dino Bueno no número 135, diz Haddad, já havia sido descredenciado do Programa De Braços Abertos há alguns meses, quando a prefeitura descobriu que quartos do local eram usados como pontos de venda da droga.
Haddad também fez duras críticas ao MSTS (Movimento Sem-Teto de São Paulo) que ocupa o antigo Cine Marrocos, um dos alvos da operação policial. Para o prefeito, os líderes do movimento exploravam os moradores.
"Ali não tem movimento de moradia. Ali tem gente do mal, que usa o Cine Marrocos para ganhar dinheiro. As famílias são usadas por essas pessoas, que não têm nada a ver com moradia e sim com o tráfico", disse o prefeito.
Inaugurado em 1952, o Cine Marrocos foi um dos cinemas mais luxuosos da capital paulista. Com o cinema desativado há décadas, o imóvel foi comprado pela prefeitura para abrigar a Secretaria Municipal de Educação, porém, o prédio foi invadido em 2013 pelo MSTS, e, desde então, acumula uma série de polêmicas.
Segundo os moradores, a maioria composta por imigrantes haitianos, bolivianos e peruanos, o local cobra cerca de R$ 200 por mês como uma espécie de "taxa de condomínio", conforme revelou a Folha de S.Paulo em outubro.
Haddad lembrou ainda que havia um mandado da Justiça de reintegração de posse do prédio, expedido em junho deste ano, e que, agora, espera que seja cumprido.
A prefeitura ainda está avaliando a ação, segundo a Folha apurou. Operações anteriores na cracolândia já geraram embates entre as gestões petista e a do governador Geraldo Alckmin (PSDB)..
O prefeito Haddad costuma dizer que, sem o combate ao tráfico, programas como Braços abertos, da prefeitura, e Recomeço, do Estado, não conseguiriam progredir na região. "Nosso foco é teto, trabalho e tratamento. O Braços abertos é um trabalho de redução de danos. Combate ao tráfico é papel do governo do estado", disse.
