Obama nega que dinheiro enviado ao Irã tenha sido resgate de reféns
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, negou nesta quinta-feira (4) que os US$ 400 milhões (R$ 1,28 bilhão) enviados ao Irã tenham sido um resgate pela libertação de quatro americanos pela República Islâmica.
A declaração foi uma resposta à informação do jornal "The Wall Street Journal" de que o dinheiro foi enviado em espécie a Teerã em janeiro, no mesmo avião que trouxe os reféns de volta a Washington.
Dentre os libertados, estavam o jornalista Jason Rezaian, preso em 2014 acusado de espionagem, o pastor Saeed Abedini e o ex-fuzileiro naval Amir Hekmati, capturados respectivamente em 2013 e 2011, e o estudante Nosratollah Khosrawi.
Em entrevista coletiva no Pentágono, Obama disse que os Estados Unidos não pagam resgate por reféns. Segundo ele, não era segredo que o dinheiro era a primeira parcela de um acordo de US$ 1,7 bilhão com Teerã.
O pacto encerrou um impasse de quase 40 anos sobre um fracassado acordo de armas assinado antes da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Reza Pahlevi. "Não houve nenhum acordo abominável", afirmou Obama.
O presidente disse ter sido orientado a fechar o acordo para evitar um dispêndio maior no futuro e que a parcela foi paga em dinheiro vivo porque Teerã não tem relações bancárias com os Estados Unidos.
"Não está claro para mim o porquê do fato de [a transferência] ter sido em espécie, em vez de assinar um cheque ou fazer uma transferência eletrônica, tenha se transformado em notícia", disse.
Obama anunciou o acordo com o Irã em janeiro, no mesmo discurso em que comentou sobre a libertação dos reféns e sobre o início da implementação do acordo nuclear com a República Islâmica.
ESTADO ISLÂMICO
A reunião no Pentágono foi para discutir a estratégia contra a milícia terrorista Estado Islâmico. Obama disse que a facção continua sendo uma ameaça devido aos ataques, mas que está perdendo território na Síria e no Iraque.
"Apesar de estes ataques terem uma mortandade menor, o Estado Islâmico sabe que ainda provoca o tipo de medo e preocupação que eleva seu perfil."
O encontro aconteceu após os primeiros ataques americanos contra os extremistas na Líbia. A cidade de Sirte foi a primeira a ter alvos bombardeados, principalmente tanques, lançadores de foguetes e posições de combate.
No entanto, o presidente americano voltou a criticar a Rússia por dar apoio ao regime do ditador da Síria, Bashar al-Assad, em ataques contra os rebeldes que querem derrubá-lo, como o ocorrido nesta quinta em Aleppo.
Obama ainda atacou o candidato republicano à sua sucessão, Donald Trump, dizendo ser ridícula a acusação de que a eleição presidencial de novembro esteja armada. "Meu conselho é que ele vá e tente ganhar a eleição."
Embora tenha garantido que o adversário receberá em breve os informes militares, Obama fez um alerta. "Quem quer ser presidente precisa atuar como um. E isso significa não espalhar dados desses informes por aí", ironizou.
