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Kerry entrega documentos americanos sobre a ditadura argentina a Macri

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LUCIANA DYNIEWICZ

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Nesta quinta (4), em passagem por Buenos Aires, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, entregou ao presidente argentino, Mauricio Macri, documentos sobre a última ditadura no país (1976-1983). Até então, os papéis eram considerados secretos.

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A medida havia sido prometida em março pelo presidente norte-americano, Barack Obama, que esteve na Argentina em uma visita que selou a reaproximação entre os países após 12 anos de gradual afastamento promovido pelo kirchnerismo (2003-2015).

Em 2002, os Estados Unidos já haviam desclassificados cerca de 4.000 documentos sigilosos. Essa nova leva, porém, inclui papéis militares e do serviço de inteligência. Kerry informou que, após a entrega da primeira leva, outros documentos serão liberados.

A visita ocorre antes de Kerry seguir para o Brasil, onde assistirá à abertura da Olimpíada.

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A chanceler argentina, Susana Malcorra, durante entrevista junto a Kerry, disse estar preocupada com a possibilidade de a crise no Mercosul enfraquecer o bloco e ter uma projeção externa.

"Estamos em um momento muito crítico e pretendemos avançar em muitas frentes com o Mercosul, com [o acordo de livre comércio com] a União Europeia e com outros tratados. Acreditamos que isso [a crise] pode afetar o posicionamento do Mercosul."

O problema em torno da Presidência do bloco se acentuou na última semana, quando o Uruguai deu por encerrado seu período no comando, alegando não ver empecilhos jurídicos para que a Venezuela assumisse. O governo de Nicolás Maduro se autoproclamou presidente do Mercosul, mas não recebeu a chancela de Brasil, Argentina e Paraguai.

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Questionado sobre a possibilidade de a Presidência do Mercosul ficar com Maduro, o secretário de Estado apenas afirmou que Malcorra era a mais indicada para falar do assunto. A chanceler repetiu que a posição argentina é de que a passagem da liderança precisa ocorrer em uma reunião oficial do Mercosul.

Kerry, por sua vez, discorreu sobre a situação da Venezuela, que passa por uma crise política, econômica e social. O americano disse estar bastante preocupado com o cenário no país e espera que o referendo que pode revogar o mandato de Maduro avance.

"Encorajamos a Venezuela a abraçar o referendo, não de uma forma lenta, empurrando para o próximo ano. Mas fazendo isso em sinal de respeito à Constituição e às necessidades da população do país."

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A oposição venezuelana tem pressa para a realização do referendo, pois só haverá novas eleições caso o presidente seja destituído antes de 10 de janeiro de 2017. Caso contrário, o vice de Maduro assumirá. Nesta semana, a primeira etapa de coleta de assinaturas para a realização do referendo foi aceita.

Kerry ainda frisou que os EUA estão tentando dialogar com o governo de Maduro e comprometido com o "restabelecimento total da democracia" venezuelana.

REUNIÃO

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A crise do Mercosul se arrasta há alguns meses porque Brasil, Argentina e Paraguai, ao considerarem que o governo de Maduro viola direitos humanos, opõem-se a uma Presidência do bloco comandada pela Venezuela.

Devido ao sistema de rotação, no qual a liderança muda a cada seis meses seguindo a ordem alfabética, a Presidência do Mercosul caberia à Venezuela .

A Argentina sugeriu que a liderança seja compartilhada pelos países até o fim deste ano, quando o presidente Macri assumiria, dando continuidade à rotação alfabética. Uma reunião de diplomatas discute essa possibilidade nesta quinta em Montevidéu.

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O presidente do Mercosul é o responsável por convocar e organizar as reuniões do grupo em seu território, além de definir a pauta dos encontros. O cargo, porém, é mais formal, pois as decisões tem de ser tomadas em consenso em reuniões de chanceleres. A falta de um presidente, porém, pode acabar tornando as negociações mais lentas.

ECONOMIA

O secretário de Estado reforçou o apoio americano ao governo e às políticas econômicas de Macri.

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"Sabemos que há desafios econômicos [na Argentina], mas Macri tomou atitudes importantes e corajosas para criar empregos. Os EUA apoiam fortemente o esforço da Argentina para aprofundar sua integração na economia global."

Kerry acrescentou que conversou com empresários americanos que atuam em território argentino e que eles investirão no país. "[O aporte de recursos] não ocorrerá da noite para o dia, mas acontecerá pela determinação do governo [Macri]."

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