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Ambulante vende lugar em fila para fotos nos aros olímpicos de Copacabana

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ROBERTO DE OLIVEIRA, ENVIADO ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Tem gente até cobrando por um lugar na fila que se forma para tirar selfies no agora mais badalado point turístico do Rio: os aros olímpicos de Copacabana, na zona sul carioca.

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"Cinco reais", grita Telma Almeida de Freitas, 60 anos, 32 deles trabalhando como ambulante na areia da praia mais famosa do país. "Corre, que a minha vez está chegando."

No momento em que ela deveria entrar no "cercadinho" das fotos, Telma retorna para o último lugar da fila, já que ninguém manifestou interesse em pagar pela vaga. Se tiver pouca gente esperando, o valor cai para R$ 3. "Faço promoção, porque na areia, não estou vendendo nada", conta.

Turistas nacionais e estrangeiros estão indo em peso registrar ali sua passagem pela Rio-2016. Não só eles: TVs do mundo todo também utilizam o símbolo olímpico para tomada de imagens e entrevistas.

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"Acabamos de conversar com um casal que veio de San Francisco, nos EUA, para assistir aos Jogos", conta o repórter Viren Ferrao, 28, da Times Now, um conglomerado de comunicação de Mumbai, na Índia. "Sempre há muitos personagens por aqui, de todos os gêneros. E ainda conseguimos belas imagens com a praia e os vendedores de rua."

Onde tem turista, há dinheiro. O paraibano Luís Gomes, 77, que trabalha como vendedor de sorvete, refrigerante e doces há 50 anos na orla, conta que os anéis olímpicos se transformaram no espaço mais lucrativo da praia.

"O movimento está aqui", empolga-se. "Só não consigo fechar negócio com os argentinos. Eles não compram nada e só reclamam dos preços."

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Com uma plaquinha estendida, na qual se lê "acomodação" em inglês, espanhol e português, Miguel Dias Bragas, 20, passa o dia em frente aos aros, anunciando apartamentos de um, dois e três dormitórios, para alugar. "Os anéis viraram a sensação da cidade."

Maiores símbolos da Olimpíada, os aros olímpicos representam a integração entre os continentes. "É como esse bairro: gente de todas as cores, origens, crenças e vindas de todas as partes do mundo", explica Emmanuel Bugingo, 47, que acompanha a equipe esportiva de Ruanda.

Usando o agasalho olímpico da sua seleção, ele aproveitou uma brecha no trabalho para fazer turismo. Mesmo com o tempo cinza nesta amanhã de quarta (3), não hesitou em garantir o seu registro.

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"Olha a fila", ouviu, em coro, a pernambucana Maria de Fátima de Souza, 50, que foi vaiada ao desrespeitar o alinhamento. Sem graça, tentou se desculpar: "Ai, gente, foi mal".

Foi mesmo. Já a carioca Ivonete Silva, 53, moradora da Ilha do Governador, zona norte do Rio, aproveitou que estava com atestado médico em mãos --tinha acabado de sair do oftalmologista--, não retornou ao trabalho e esperou 15 minutos por sua vez.

"Acho civilizado", disse. "Olha só quantas pessoas de fora estão pegando fila. A gente precisa aprender a respeitar." Naquele momento, havia por ali cerca de 50 pessoas, todos à espera de cliques.

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Com o objetivo de passar a mensagem de sustentabilidade, a escultura, criada pela artista Elisa Brasil, foi feita com plástico reciclado. Mede 3 m de altura e 6 m de comprimento. "Conseguiram promover a preservação ambiental com a celebração olímpica", definiu o estudante americano David Klein, 31.

Para ele, os anéis funcionam como ponto de interação entre turistas e moradores locais. "É uma mistura multicultural, como o Brasil", disse o rapaz, que é de Chicago. Ele acabou esbarrando nos aros por acaso. Inicialmente, seguia para conhecer o Copacabana Palace.

Os aros estão bem em frente ao hotel. Os anéis que foram doados por Londres ficam no parque de Madureira, na zona norte, e há também a hashtag Cidade Olímpica, na praça Mauá, no centro, todos eles com o propósito de promover a interação dos símbolos olímpicos com os seus visitantes.

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