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Pacientes esperam até 5 horas para retirar remédios gratuitos no HC

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PAULO GOMES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A fila de espera para a retirada de medicamentos gratuitos na farmácia do Hospital das Clínicas, em Cerqueira César (zona oeste de São Paulo) pode chegar a até cinco horas, segundo pacientes.

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Na última sexta-feira (29/7), foi assinado um termo de compromisso do hospital com promotores do Ministério Público estadual para aprimorar o atendimento na distribuição gratuita.

O acordo foi resultado de uma investigação do MP sobre a demora na entrega dos remédios no HC e a falta de parte deles, que levou a uma sentença da Justiça que obriga o hospital a melhorar essa prestação de serviços.

A reportagem esteve no local de retirada de remédios nesta quarta-feira (3) para acompanhar a rotina enfrentada pelo público. Além de terem que encarar uma longa espera, os doentes em geral são idosos, o que agrava o problema.

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A aposentada Wandercy de Fátima Nogueira, 61, por exemplo, diz que já chegou a aguardar por cerca de 5h no posto de atendimento para retirar os remédios necessários para o seu tratamento do coração. "Hoje já estou há mais de 2h esperando", conta ela, que frequenta o local há dois anos e meio.

Leandro da Silva Assis, 25, é outro paciente que diz já ter esperado por aproximadamente 5h. "Tinha dia que eu vinha na hora do almoço e saía só às 19h", diz ele, que utiliza o benefício há mais de dez anos. Ele costuma receber em casa os remédios para o tratamento de uma doença de pele, mas periodicamente tem que ir até o hospital para a retirada.

O ATENDIMENTO

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O paciente que chega ao local com a receita médica tem que enfrentar uma primeira fila, para a retirada de senha. No atendimento, é informado de quais medicamentos estão disponíveis no dia -não é rara a escassez- e então os remédios que estiverem à disposição serão separados na triagem, enquanto o paciente espera sua senha ser chamada.

De acordo com as pessoas com quem a reportagem conversou, a maior demora costuma ser nessa fila da senha, onde a espera é em pé. Depois, podem esperar sentados até a senha ser chamada e pegam nova fila, mais rápida, para receber os remédios.

Leandro diz que a média no tempo do atendimento tem melhorado, no entanto. "Hoje em dia, em coisa de uma 1h, 1h40, a gente pega."

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Antonio Sardeli, 77, discorda. "Já foi melhor", diz o aposentado, que teve infarto e vai ao local uma vez por mês há oito anos para retirar remédios para o coração. Nesta quarta ele conseguiu pegar a senha em 30 minutos, mas já estava esperando que ela fosse chamada há 1h30. Estava perto de seu recorde, portanto, de pouco mais de 2h. "Sempre demora uma hora, uma hora e meia."

Maria Geralda Niles, 61, vai ao HC cerca de cinco vezes por ano para pegar os medicamentos para seu ouvido. Ela diz que já ficou quase 4h para retirar os remédios, mas que também já conseguiu fazer todo o processo em 20 minutos. Ao ouvi-la dizer isso, a mulher que estava na sua frente na fila comenta: "Que sorte! Nunca vi isso acontecer por aqui".

De todos os casos que a reportagem acompanhou, apenas um foi mais rápido do que a média declarada. Jorge da Silva, 63, não espera em pé na fila da senha por conta de uma lesão na coluna, então leva uma acompanhante. Ela conseguiu retirar a senha em 10 minutos. "É por causa do atendimento prioritário", diz. Ele confirma, no entanto, que a média é de espera é de 1h30.

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OUTRO LADO

Procurado, o Hospital das Clínicas disse que está "constantemente aprimorando" a distribuição de medicamentos e que o atendimento às exigências da Justiça são mais um passo nesse sentido. Não informou, no entanto, quais as medidas que serão tomadas para a redução no tempo de espera.

Segundo o hospital, sua farmácia ambulatorial oferece gratuitamente 615 tipos de medicamentos, atendendo 1,3 milhão de receitas por ano. Além disso, ainda de acordo com o HC, 60 mil receitas por mês são entregues em casa para os pacientes.

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Para receber o medicamento em sua residência, a pessoa deve ter registro definitivo no Hospital das Clínicas, residir no Estado de São Paulo, ter endereço válido, apresentar comprovante de residência e estar em acompanhamento ambulatorial. Mesmo com a entrega em casa, o paciente pode ter que enfrentar as filas da farmácia do hospital após as consultas médicas, como foi o caso de alguns entrevistados pela reportagem.

Mais informações sobre a entrega gratuita em residência podem ser obtidas pelo telefone (11) 5070-1850 ou pelo e-mail [email protected].

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