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'Estavam cegos', diz Letícia Sabatella após hostilização; ato estará em peça

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MARIA LUÍSA BARSANELLI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A hostilização sofrida pela atriz Letícia Sabatella no último domingo (31), quando manifestantes em favor do impeachment a chamaram de "puta", "comunista" e "sem-vergonha" durante um protesto em Curitiba, deve ganhar forma no teatro.

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Inspirada no caso, que ela filmou e publicou em sua conta no Instagram, Sabatella deve escrever um texto sobre intolerância. O escrito servirá para abrir a peça "Haiti Somos Nós", montagem do grupo Os Satyros, cujo elenco ela integra e que terá três sessões a partir desta sexta (5) na Galeria Olido, em São Paulo.

Os manifestantes em Curitiba "estavam cegos", afirma a atriz à reportagem, durante um ensaio da peça. "Todos aqueles xingamentos eram para diminuir a um objeto. Eu percebi o abismo de diálogo. E a intolerância é isso."

O pedido veio do diretor Rodolfo García Vázquez. "Tem tudo a ver com a peça [sobre imigrantes haitianos no Brasil]", diz o encenador. "Tem a ver com o respeito pelo outro, pelo diferente."

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GUAÍRA

Sabatella conta que o apartamento de sua família em Curitiba é em frente ao teatro Guaíra, onde ocorria a manifestação. "Meu avô, que era engenheiro, ajudou a construir o teatro. O Guaíra era o quintal da casa da minha avó."

Segundo a atriz, ela saiu para almoçar quando se deparou com os manifestantes. "Eu não sabia que horas nem onde iria começar a manifestação. Eu passei na frente do Guaíra e me chamaram a atenção uns cartazes reivindicando a volta da intervenção militar."

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"Uma senhora me reconheceu, perguntou se eu iria participar da manifestação, falei que não e que talvez iria à outra manifestação [contra o impeachment]. Falei sinceramente", conta ela. "Pediram para tirar foto, mas percebi que o clima estava começando a ficar meio irônico."

A partir daí, de acordo com a atriz, ela foi encurralada pelos manifestantes. Uma teria tentado tirar uma foto de Sabatella ao lado de um Pixuleco. Outro, jogado tinta nela.

"Eles foram me envolvendo. Eu não conseguia sair. Quando eu percebi que seria uma reação emocional, eu peguei o celular e comecei a filmar. Tem gente que diz que eu fui para cima deles. Eu vou com a câmera para registrar que o que a pessoa estava falando era uma calúnia. O celular era uma arma pacífica, de resistência. Eu não queria gritar com as pessoas, por isso eu estava chegando perto."

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No vídeo que Sabatella publicou em sua conta no Instagram, policiais também aparecem tentando conter as agressões. "A polícia chegou e me isolou. Mas não pediu para os manifestantes pararem. Tem um momento [do vídeo] em que eu falo: 'Você precisa acalmá-los, eu não estou fazendo nada'. Eles queriam me colocar num camburão, mas eu falei: 'Não, eu moro aqui'." Ainda assim, a atriz foi escoltada por cerca de uma quadra.

Depois do ocorrido, ela registrou um boletim de ocorrência por agressão numa delegacia de Curitiba. "Eu vou mover uma ação, vai ser preciso, foi muito grave. E o que eu passei é o que muitas pessoas estão passando. É necessário filmar, denunciar e mostrar que tem limite."

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