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Voluntárias estrangeiras testam trens no Rio e se surpreendem com ambulantes

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BRUNO VILLAS BÔAS

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Loiras, olhos claros, as voluntárias Camille Prigent, 18, e Amárie Hilgertová, 18, atraem olhares curiosos na estação de trem da Vila Militar, ramal de Santa Cruz, que liga o Complexo Olímpico de Deodoro à Central do Brasil, no Rio.

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"Gringas", diz Camille, ao imaginar o que passa pela cabeça dos passageiros da estação. "Muita gente aqui no Rio pergunta se somos irmãs e falam sobre como somos parecidas, mas acho que somos bem diferentes."

Voluntárias na Olimpíada do Rio, a francesa Camille e tcheca Amárie são responsáveis por mostrar, dentro de canoas, o trajeto da prova de canoagem slalom para os atletas profissionais da modalidade.

"Nós mostramos aos atletas o percurso que precisam fazer entre as balizas. Claro que uma curva pode ser feita de diferentes maneiras numa canoa, mas aquele é o trajeto", diz a francesa, com seu inglês fluente.

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Instaladas numa vila em Deodoro, as duas voluntárias estão no Rio há três dias. E, apesar dos alertas de amigos e conhecidos sobre a violência, não abrem mão de entrar no trem para explorar a cidade olímpica.

"É a terceira vez que pegamos o trem para a Central. É realmente curioso ver o comportamento das pessoas", diz Amárie, que, inicialmente desconfiada, evita dizer ao repórter seu destino na cidade. "Vamos fazer uma visita".

Aos olhos de duas garotas estrangeiras, um dos comportamentos mais peculiares no trem, que segue em ritmo lento rumo à Central do Brasil, é a profusão de vendedores ambulantes que circulam pelos vagões da ferrovia.

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Bala de caramelo, biscoito goiabinha de Petrópolis, empada "da fábrica", chocolate "na promoção porque a carreta virou", água, refrigerante, café, tocador de mp3 com 953 músicas, aparelho de massagem com "teste grátis".

Elas evitam as comidas e os cacarecos. Seja por que não falam português -dos gritos das dezenas de vendedores, só entendem a parte em que dizem "um real, dois reais"- ou simplesmente por que não tem fome.

O trem expresso faz a primeira parada. Na estação de Deodoro, muitos passageiros descem do vagão para trocar de ramal. O vagão fica mais vazio, mas ainda não há assentos vagos. Elas seguem em pé, perto da porta.

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Amárie conta que, em uma das viagens de trem no Rio, um passageiro sentado ao seu lado ligou uma pequena caixa de som para ouvir música em alto volume, sem fones de ouvido. E sobre como ficou intrigada com isso.

"Primeiro eu achei que o som vinha da caixa de som do trem. Só depois eu entendi que era alguém sentado. Ele ouvia aquele tipo de música das favelas. Era uma cantora que nos falaram", diz Amárie. "Anitta!"

O trem chega à estação de Engenho de Dentro, ao lado do Estádio Olímpico, o Engenhão, onde haverá partidas de futebol e provas de atletismo, incluindo as do jamaicano Usain Bolt. Elas perguntam se aquele é o Maracanã.

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Do lado de fora, o trem passa próximo a favelas. Amárie não entende porque em uma parte da cidade existe pessoas com muito dinheiro e, em outras, pessoas tão pobres. "Alguém deveria fazer alguma coisa sobre isso".

O trem chega à Central do Brasil, parada final. Amárie saca do bolso do moletom um mapa. Ela quer saber se pegar o metrô na Central do Brasil e seguir até a estação Uruguaina deixa possível caminhar até o Museu do Amanhã.

Desincentivadas por causa dos riscos de segurança, elas reconhecem que têm medo de circular no Rio. Não pelo que viram acontecer. Nada de errado aconteceu com elas. Mas pelos constantes alertas.

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"As pessoas falam para a gente ter cuidado, que o Rio é uma cidade violenta. Que somos diferentes e isso chama atenção. Aqui anoitece cedo, o que dificulta visitar os lugares", afirma Camille.

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