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Líderes turcos admitem pela primeira vez 'erros' nas punições após golpe

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em uma notável mudança de tom por parte de Ancara, dois líderes políticos turcos admitiram pela primeira vez que as punições aplicadas após a tentativa frustrada de golpe de Estado, no dia 15 de julho, muito criticadas no exterior, podem ter provocado "erros".

As autoridades também expressaram descontentamento com a Alemanha, que vetou a exibição de uma mensagem do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante uma manifestação pró-governo no domingo (30), na cidade de Colônia.

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"Se aconteceram erros, corrigiremos", disse o vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus, enquanto o expurgo de simpatizantes do pregador exilado nos Estados Unidos, Fetullah Gülen, a quem Ancara acusa de ter organizado o golpe, afeta principalmente o Exército, a Justiça, o sistema educacional e a imprensa.

"Os cidadãos que não têm ligação com eles [os simpatizantes] devem ficar tranquilos porque nenhum mal será feito a eles", completou Kurtulmus em entrevista coletiva.

Mas os que estão vinculados ao imã "têm que ter medo". "Pagarão o preço", reiterou o vice-primeiro-ministro ao falar sobre os simpatizantes de Gülen, que teve a extradição solicitada por Ancara a Washington.

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Quase 10 mil pessoas estão sendo investigadas ou estão em prisão preventiva, incluindo jornalistas. Mais de 50 mil turcos foram demitidos de seus postos de trabalho.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, também afirmou que existia a possibilidade de que erros tenha ocorrido durante a caça às bruxas.

"Estamos aplicando um trabalho rigoroso sobre os que foram destituídos", disse o chefe de governo. "Alguns deles foram vítimas de processos injustos", admitiu, também adotando um tom mais conciliador, pouco habitual desde que o golpe frustrado que abalou o poder de Erdogan.

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'NADA EXCEPCIONAL'

O expurgo turco provocou críticas de Washington, de países da Europa, de diversas organizações de defesa dos direitos humanos e da imprensa. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, denunciou que as punições eram "desmedidas" e que não poderia permanecer calado.

Já o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, declarou que "um país que prende seus próprios professores e seus próprios jornalistas, encarcera (seu) futuro". Em resposta, Erdogan aconselhou os dirigentes ocidentais a "se meterem em seus assuntos".

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Em outra tentativa de demonstrar força, a Turquia convocou o encarregado de negócios da embaixada alemã em Ancara depois da proibição, no domingo, da exibição de um discurso de Erdogan por videoconferência durante uma manifestação em Colônia, no norte da Alemanha, na qual milhares de pessoas demonstraram rejeição ao golpe de Estado frustrado.

A Corte Constitucional alemã vetou Erdogan por temer que a mensagem aumentasse ainda mais a tensão dentro da diáspora turca na Alemanha, a mais importante no mundo.

"Nas relações entre Estados é algo cotidiano, é normal que o representante de um Estado seja convocado pelo ministério das Relações Exteriores do país anfitrião", afirmou o porta-voz do ministério alemão das Relações Exteriores, Martin Schäfer. "Por isto não há nada excepcional", reiterou.

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Mas o episódio de Colônia é mais um na lista de divergências nas relações germânico-turcas. Além disso, o general americano Joseph Dunford, comandante do Estado-Maior dos Estados Unidos, que está em Ancara, deve ser reunir com o comandante do Estado-Maior turco, o general Hulusi Akar, e com Binali Yildirim.

As relações entre os dois países, chaves na estrutura militar da Otan, passam por um momento ruim desde que Ancara solicitou a extradição de Gülen, exilado na Pensilvânia.

Depois das reuniões em Ancara, o general Dunford deve viajar até a base de Incirlik (sul da Turquia), a partir da qual decolam os aviões americanos que bombardeiam as posições do grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria e Iraque.

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