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Aplicativo de táxi adota modelo Uber e vai aceitar motorista particular em SP

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GIBA BERGAMIM JR.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Líder no mercado de aplicativos para táxi, a empresa 99táxis passará a aceitar motoristas particulares, somente em São Paulo, ampliando a polêmica que coloca taxistas de um lado e plataformas como o Uber de outro.

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A nova modalidade deve passar a valer a partir de 31 de agosto, mas a seleção de novos motoristas será anunciada nesta segunda-feira (1°). A empresa também vai incentivar taxistas a atuarem na modalidade particular.

Para o passageiro, neste caso, a vantagem será pagar uma tarifa mais barata mas dentro de um táxi, que está liberado pela prefeitura para circular por corredores e faixas exclusivas de ônibus da cidade. Para o taxista, o lucro será menor por viagem, mas, segundo a empresa, no entanto, a vantagem será a possibilidade de ampliar o número de viagens.

Sindicatos de taxistas tentam derrubar na Justiça o decreto do prefeito Fernando Haddad (PT) que regulamentou os aplicativos como o Uber, em maio passado. Para os taxistas, que fizeram uma série de protestos contra a medida, motoristas particulares por aplicativo fazem concorrência desleal, por atuarem sem necessidade de alvará e sem pagar as mesmas taxas e licenças pagas por taxistas.

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Na prática, agora, no caso da empresa 99táxis, o aplicativo que atuava até então apenas com taxistas passará a aceitar seus rivais diretos. Com cerca de 35 mil taxistas cadastrados, a empresa calcula ter domínio de 60% do mercado de aplicativos de táxi na cidade. Em todo o país, são 150 mil cadastrados.

O aplicativo originalmente criado para táxis agora atuará como concorrente direto de aplicativos como Uber e Cabify, porém com a vantagem de atuar nas duas plataformas. Antes da 99, o aplicativo Easytaxi, que é menor, já passou a aceitar não-taxistas.

"Somos uma empresa de tecnologia. Seria ruim da nossa parte ignorar que houve uma mudança e que o mercado é outro. A gente precisa atender essas novas demandas", disse Pedro Somma, diretor de relações institucionais da 99. Inicialmente, a 99 irá abrir apenas mil vagas para novos motoristas particulares, com carros de placa cinza.

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Para ser selecionado, o motorista terá que passar por entrevistas feitas pessoalmente e ser submetido a checagem de antecedentes criminais, além de teste de direção. O carro poderá ter, no máximo, cinco anos de uso, seguro de acidentes para passageiros e passará por vistoria. No processo seletivo, motoristas com condutax (licença para dirigir táxi) serão priorizados como critério de desempate.

Em São Paulo desde 2014, o Uber desconta dos motoristas de 20% a 25% do valor de cada viagem. Atualmente, para concorrer a uma vaga de motorista no aplicativo basta apresentar a carteira de habilitação para atividade remunerada e os documentos do carro, com até oito anos de uso. No Uber, não há entrevistas, testes nem vistoria nos carros.

MIGRAÇÃO

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Quando esse novo modelo começar a operar, os mil novos motoristas serão os primeiros a serem acionados pelos passageiros por meio do botão POP (nome do modelo voltado a carros particulares). Se todos estiverem em viagem, o aplicativo, então, acionará os táxis disponíveis para atender na modalidade POP.

Para o passageiro, pouca coisa mudará. Além dos botões que oferecem as modalidades táxi branco e táxi preto (com carros mais luxuosos e, portanto, mais caros), haverá o terceiro botão.

A empresa busca atrair, por exemplo motoristas de frota de táxi, que pagam uma diária variável entre R$ 100 e R$ 170, dependendo da empresa. A intenção é fazer esses motoristas migrarem para a nova modalidade, com carros próprios.

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"Para o taxista que não tem alvará é a oportunidade dele não pagar a diária e poder trabalhar com transporte individual. Para o dono de alvará, é uma opção boa para fazer mais corridas", disse Somma.

A 99 cobra R$ 2 por viagem de cada motorista, porém, não sabe ainda qual será o desconto na modalidade particular. "O desconto será menor do que o feito pelos aplicativos do mercado", afirma o executivo.

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