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Cidade venezuelana vê fluxo menor de brasileiros para comprar importados

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ESTELITA HASS CARAZZAI E AVENER PRADO, ENVIADOS ESPECIAIS

SANTA ELENA DE UAIRÉN, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - A rodovia que leva a Santa Elena do Uairén, cidade venezuelana na fronteira com o Estado de Roraima, tem dezenas de lojas de importados à espera de turistas. Na semana passada, porém, a maioria tinha as portas fechadas ou estava vazia. ?Um ano atrás, isso aqui estaria cheio de brasileiros?, diz o vendedor Rolando Hernández, 23, em meio a corredores com bandeirinhas verde-amarelas. Oito vendedores ocupavam o local e nenhum cliente. Em grave crise de abastecimento e hiperinflação, a Venezuela viu o fluxo de turistas na fronteira minguar.

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Até o ano passado, os brasileiros invadiam a região em busca de eletrônicos, autopeças e produtos importados baratos devido ao câmbio e à isenção de impostos. Até comida, sabonete e material de limpeza entravam na lista de compras. ?Hoje, o fluxo está invertido?, diz o vice-cônsul brasileiro em Santa Elena do Uairén, Ubiraci Bastos. O falta de abastecimento em grande parte da Venezuela enfraqueceu o comércio, esvaziou prateleiras e levou milhares de venezuelanos ao Brasil em busca de comida e itens de necessidade básica.

Em Santa Elena, apelidada de ?sucursal do céu?, o panorama dos moradores é diferente, pois há comida disponível nos supermercados. Os turistas que sobraram, porém, vão quase exclusivamente para visitar cachoeiras e fazer escaladas na região.

As mercadorias, em falta, levam meses para chegar. A hiperinflação da moeda venezuelana também torna a viagem desvantajosa: muitos produtos custam até o dobro do preço que há um ano. ?Aqui, compra mais venezuelano do que brasileiro?, diz José Mayorga, 25, vendedor de uma loja de importados na fronteira.

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No local, eletrônicos e cosméticos, em falta, sumiram das prateleiras. Sobraram as bebidas, como uísque e vodka, mas o preço não atrai o cliente brasileiro.

Em destaque, no meio da loja, estão sacos de arroz, farinha e açúcar -disputados por venezuelanos. ?Mudamos para atrair a clientela?, comenta o vendedor.

DE MUDANÇA

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No centro de Santa Elena, comerciantes árabes, que antes vendiam roupas e eletrônicos, estão de mudança para Pacaraima (RR), no lado brasileiro para vender arroz, farinha e açúcar. ?O que vendo em um dia no Brasil, eu levo quatro meses para vender na Venezuela?, diz o comerciante libanês Tarek Naddi, 46.

Ele tem uma loja de roupas íntimas em Santa Elena. Há um mês, resolveu abrir um comércio de alimentos em Pacaraima. Vende um caminhão de comida por dia. ?Eu estava acostumado a carregar calcinha?, diz, suando, enquanto transporta dezenas de sacos de arroz nas costas. ?Fui de 30g para 30 kg. Mas vale muito a pena.?

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