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Primo de suspeito admite apologia ao EI, mas nega relação com terroristas

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Preso pela Polícia Federal na tarde desta quarta-feira (27), Chaer Kalaoun é descrito por um parente como sendo recluso, com problemas psicológicos, mas de boa índole.

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Segundo o empresário Alam Kalaoun, 30, primo de Chaer, o rapaz de fato fazia postagens de cunho extremista nas redes sociais, mas mais como uma forma de chamar atenção do que por ter uma ligação direta e efetiva com grupos terroristas.

Ele foi preso pelo mesmo motivo dias antes da realização da Copa do Mundo. Na ocasião, não houve a mesma repercussão.

O primo conta que o rapaz já teve diversas contas bloqueadas no Facebook justamente por conta de posições radicais.

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Seria por esse motivo que a família se afastou -ele já não participava das reuniões e não fora convidado para casamentos recentes de primos.

Formada por imigrantes libaneses e com sobrenome tradicional no mundo árabe, a família ficava incomodada com a maneira como Chaer se colocava nas redes sociais.

O primo conta que desde o final dos anos 1990, após a morte do pai, Chaer enfrentava problemas psicológicos.

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Ele chegou a tomar antidepressivos e foi orientado por mais de uma vez a buscar ajuda profissional.

Desde então, o rapaz, hoje com 33 anos, teria adotado comportamento recluso.

Ele não tinha emprego e passava muito tempo no computador e nas redes sociais. O primo diz que há alguns anos o rapaz parecia perdido.

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"Pra mim, tudo não passa de aventura. O Chaer é de boa índole. Era só uma pessoa perdida, mas incapaz de fazer o mal", disse.

Ele chegou a a fazer faculdade, mas o primo não soube dizer se ele concluiu o curso.

Chaer não escolheu uma carreira para seguir e em vários momentos tinha ideias para mudar de vida.

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A última que ele teria manifestado era o desejo de ser mergulhador da indústria do petróleo, posição conhecida pelos altos salários. As ideias, contudo, disse o primo, nunca iam adiante.

O primo acredita que ele se engajou a ideias radicais nas redes sociais justamente por estar sem perspectiva.

"É real, ele falava coisas ofensivas, apoiava ideias extremistas no Facebook. Mas não é de má índole e tenho certeza de que não passava de discurso. Ele não tinha ligação direta e de fato com grupos terroristas no exterior. A família nunca apoiou suas posições e, infelizmente, não foi surpresa ele ter sido preso", disse Alam Kalaoum à reportagem.

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Alam é sobrinho do pai de Chaer. Os pais nasceram no Líbano e vieram para o Brasil ainda crianças. Ambos casaram com mulheres brasileiras.

A família prosperou no ramo de comércio de roupas no Brasil. Chaer Kalaoun, segundo o primo, não atuava nos negócios da família.

O pai, Roberto, foi morto no final dos anos 1990, em assassinato que, segundo o primo, não teve qualquer ligação com a religião ou a cultura árabe da família.

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Chaer vivia atualmente em um apartamento da mãe, Risomar, em Nova Iguaçu. Ela, que teve um infarto há alguns anos, estaria muito abalada. O suspeito é filho único por parte de mãe e tem meio irmãos por parte de pai.

Chaer já vinha afastado dos primos e após a prisão na Copa e o comportamento nas redes sociais, a distância aumentou.

"Nossa família não apoia terrorismo. Pelo contrário, sempre ficamos muito tristes quando algo do tipo ocorre porque carregamos um sobrenome muito tradicional no mundo árabe e há na sociedade uma má compreensão das nossas tradições. Acho que o jeito que o Chaer se comportava era uma forma de chamar atenção. E também por isso, nos afastamos", disse.

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O último contato mais próximo foi entre 2011 e 2012, quando fizeram uma viagem ao Líbano para visitar a avó que ainda vive no país árabe.

A Polícia Federal diz que ele voltou de lá com bandeiras do Estado Islâmico. O primo disse que eles não voltaram juntos da viagem, mas disse não achar impossível que ele de fato tenha comprado bandeiras do tipo por lá.

OPERAÇÃO HASHTAG

No último dia 21, a Polícia Federal prendeu brasileiros suspeitos de simpatizar com grupos terroristas. As forças de segurança vinham monitorando cem pessoas no país que manifestavam simpatia ao Estado Islâmico.

Os dez presos constavam nessa lista de rastreados. Desde o início das investigações, eles compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças de segurança.

A ação da PF ocorreu nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

A operação foi planejada e realizada em cooperação com serviços de inteligência de outros países.

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