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Voluntário, monge distribui 'paz' e é confundido com samurai

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto caminha pela Vila Olímpica, Leonardo Yoshikawa atrai olhares e desperta suposições.

"Acham que sou samurai, lutador de kung fu ou uma dessas modalidades que entrou para a Olimpíada, afirmou.

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Não é para menos. Com uma veste que o cobre de cima a baixo -com direito a sandália e meia-, seu visual destoa, e muito, no vaivém de atletas quase sempre de bermudas e camisas coloridas na vila.

Leonardo é um monge, o único do centro ecumênico montado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) na residência dos atletas durante os Jogos do Rio. O espaço mistura religiões e já se tornou uma tradição em todas as edições olímpicas.

"Quem quiser ter um obro amigo pode nos procurar, porque há uma pressão muito grande no esporte. Apenas um pode vencer, e nossa função é oferecer serenidade", afirmou o monge, 38 anos.

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Ao menos no cumprimento de sua sabedoria, Leonardo tem cumprido uma rotina de atleta dentro da vila. Credenciado como voluntário, distribui sua paz por 15 horas diárias, das 7h às 22h, a esportistas, oficiais e técnicos que visitam o centro.

Apesar do trabalho abnegado, ele não pode se hospedar na instalação. Neste período olímpico, tem feito diariamente o trajeto entre Rio e Itaguaí, onde mora desde 2008 -o município fica a cerca de 70 km da capital fluminense.

A pequena cidade, de pouco mais de cem mil habitantes, tem a maior concentração de monges do Estado do Rio, segundo Leonardo, que é paulistano de nascimento. O trajeto cotidiano, porém, não o incomoda.

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"Tenho até sorte de não precisar correr e treinar, só ficar no stand-by mesmo. Entro na vila com uniforme de voluntário, almoço na tenda de voluntário, é muito bom. Uma voluntária até quis me retirar, disse que eu estava no lugar errado", contou.

Leonardo, cujo nome de sacerdote é Jyunsho, conheceu o budismo quando decidiu morar no Japão em 1996. Pouco depois, decidiu se tornar monge. Entre outras coisas, quis se "desapegar do dinheiro".

O único ressentimento nessa aparição é a falta de divulgação do trabalho feito no centro ecumênico.

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"Essa parte está sendo muito mal divulgada. O centro religioso existe porque é padrão do COI, mas ninguém sabe. Quero acreditar que porque é início da chegada das delegações", ressalvou.

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