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ONG aponta prisões arbitrárias de opositores na Venezuela

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SAMY ADGHIRNI

CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - O governo da Venezuela deteve de forma arbitrária ao menos 19 opositores desde maio, muitos dos quais foram torturados e chantageados, segundo relatório divulgado nesta quarta (27) pela ONG norte-americana Human Rights Watch (HRW).

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O estudo corrobora acusações anteriores feitas pela HRW e outras organizações de defesa dos direitos humanos.

"O governo [do presidente Nicolás] Maduro fala de diálogo no exterior enquanto reprime a dissidência política em seu próprio país", disse José Miguel Vivanco, diretor da HRW para temas nas Américas.

O relatório, feito com base em entrevistas e pesquisa documental conduzidas em quatro regiões da Venezuela em junho, detalha 21 casos de cidadãos detidos por estarem vinculados à oposição. Somente dois foram formalmente acusados.

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A maioria foi presa apenas por participar de atividades opositoras ou possuir material de propaganda política, segundo a HRW. Os que foram levados ao tribunal só puderam contatar advogados minutos antes da audiência.

Sem responder por cada caso, o governo afirma que todos os simpatizantes da oposição presos estavam envolvidos em atos de violência e desestabilização.

Um dos casos retratados é o do estudante José Gregorio Hernández Carrasco, 20, preso dois dias após participar de uma manifestação opositora em maio. Ele diz ter sido espancado e vítima de torturas que incluíam choques elétricos e ameaça de introduzir um bastão em seu ânus.

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O estudante afirma que, ameaçado de estupro, foi obrigado a assinar uma confissão de culpa. Mesmo assim, não há, até o momento, nenhuma acusação formal contra o rapaz, que continua preso.

Outro caso relatado é o do estudante Jeremy Antonio Bastardo Lugo, 18, interceptado por agentes à paisana após participar de uma marcha opositora em Caracas. Levado a uma sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), foi espancado e recebeu chutes nos testículos.

O jovem diz ter sido obrigado a assinar uma declaração dizendo que havia recebido dinheiro de dois personagens proeminentes da oposição, o governador de Estado de Miranda, Henrique Capriles, e a ex-deputada Maria Corina Machado.

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A HRW cobra uma posição mais dura dos países latino-americanos contra os abusos cometidos pelo governo de Maduro.

"Sem pressão regional forte, o governo venezuelano poderá achar que pode continuar castigando brutalmente a dissidência sem sofrer consequências por isso", disse Vivanco.

Vários governos e organizações multilaterais criticaram Caracas por abusos de direitos humanos, principalmente depois dos protestos opositores de 2014, que deixaram 43 mortos, incluindo policiais. Mas a Venezuela não sofreu até agora nenhuma medida de retaliação.

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A oposição busca, até agora em vão, apoio internacional para ativar um referendo revogatório para abreviar a presidência de Maduro, eleito em 2013 para um mandato de seis anos.

Com apoio da Justiça e do órgão eleitoral, o governo vem multiplicando travas à convocação da consulta.

Além do cerco às liberdades políticas, venezuelanos sofrem com um cenário de crise econômica, inflação e desabastecimento de itens básicos e remédios.

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