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Para sobrinha de Costa e Silva, mudar nome do Minhocão não é democracia

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GIBA BERGAMIM JR.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após o prefeito Fernando Haddad (PT) trocar o nome do elevado Costa e Silva, o Minhocão, para Elevado João Goulart, a sobrinha do general que presidiu o país entre 1967 e 1969 disse à reportagem que "homens que mudam nomes e derrubam estátuas não são democratas".

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"Estão muito enganados se pensam em apagar a história. Verdade e Justiça sempre surgirão, ainda que tardiamente", disse nesta terça-feira (26), por email, Teresinha da Costa e Silva Puglia. Ela é filha do também militar Riograndino da Costa e Silva, irmão do ex-presidente Arthur da Costa e Silva, de quem foi secretário particular em 1969. Arthur morreu durante o mandato. Seu irmão, em 1993.

Nesta segunda-feira (25), o prefeito retirou a homenagem ao ex-presidente durante a ditadura militar da via -que liga a zona oeste à região central, com conexões para as regiões sul e leste- e decidiu repassá-la ao presidente deposto no golpe de 1964. O elevado foi inaugurado em 1971 pelo então prefeito, hoje deputado federal, Paulo Maluf (PP), que também escolheu o nome do acesso.

A mudança faz parte de um programa que prevê alterar os nomes de pelo menos 40 vias e praças da cidade, que hoje homenageiam personagens do período militar, muitos deles considerados violadores de direitos humanos, assassinos e torturadores.

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A declaração de Teresinha se refere também à decisão da Prefeitura de Taquari (RS), cidade natal de Costa e Silva, de retirar um busto do general instalado em frente à lagoa Armênia, ponto turístico do município.

Teresinha disse à reportagem que a família nunca havia sido procurada para comentar nada em relação ao tio.

"Creio que meu tio Arthur foi o único presidente que realmente deu a vida por este país. Ele era um homem generoso, culto, inteligente que muito lutou pelo progresso da nação", afirmou.

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Ela contou que, junto com os filhos, fez protestos em Taquari para evitar a retirada do busto, sem sucesso.

Hoje, o monumento está no museu que leva o nome do tio, instalado na casa onde ele viveu na infância, na mesma cidade. À reportagem, o deputado federal Paulo Maluf disse que a mudança é revanchismo ideológico e que Costa e Silva ajudou São Paulo, diferentemente de João Goulart.

Maluf apoiou a candidatura de Haddad em 2012 à prefeitura. Ambos posaram para foto ao lado do ex-presidente Lula na ocasião.

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COMISSÃO

A retirada das homenagens faz parte dos desdobramentos da Comissão da Verdade, iniciada em 2011, que investigou as violações de direitos humanos no país cometidas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

Para a coordenadora-adjunta de Políticas de Direito à Memória e à Verdade da prefeitura, Clara Castellano, o nome de Costa e Silva, ditador responsável pelo AI-5 (Ato Institucional nº 5) não deve ser colocado em destaque na cidade. "Foi no período em que ele era presidente que aumentaram as perseguições políticas, assassinatos e desaparecimentos", disse.

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