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Artistas começam a desocupar prédio da Funarte em São Paulo

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RODOLFO VIANA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os cartazes contra o governo interino de Michel Temer (PMDB) continuam firmes nas paredes da sede paulista da Funarte (Fundação Nacional das Artes), mas os artistas andam menos perseverantes. Os coletivos que tomaram o prédio em 17 de maio já começaram a desocupação imposta pela Justiça. No dia 19, o grupo foi informado que teria 15 dias para deixar a instalação gerida pelo Ministério da Cultura.

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A reportagem esteve na representação da Funarte na segunda (25), dia em que a Polícia Federal desocupou outro prédio do MinC, o Palácio Capanema, no centro do Rio.

Tadeu de Souza, coordenador da representação da Funarte em São Paulo, diz que "algumas pessoas já se foram". A reportagem constatou que que o segundo andar do prédio na alameda Nothmann, em Campos Elíseos (região central de São Paulo), já não serve mais como dormitório.

De acordo com uma porta-voz da ocupação identificada como Camila, os artistas estão saindo "cada um a seu tempo" e, até a conclusão do prazo estabelecido pela Justiça, "todos terão deixado o prédio".

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A organização do movimento não soube informar o número de manifestantes que ainda estão alojados na Funarte. Na tarde de segunda, havia aproximadamente 30 pessoas das dependências do prédio.

Enquanto a ocupação nos moldes de residência tem prazo para acabar, a ocupação artística deve prosseguir. O grupo manterá atividades culturais no local, segundo o coordenador da representação da fundação. "A Funarte serve para isso mesmo, para atender esse tipo de demanda [receber artistas e atrações]", diz Souza.

Camila confirma que a organização da ocupação prepara um documento com propostas para gestão coletiva da área artística da Funarte de São Paulo.

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FERRUGEM

A desocupação da Funarte e do Palácio Capanema contradiz afirmações do ministro da Cultura Marcelo Calero. Calero havia garantido que a pasta não pediria reintegração de posse das ocupações contrárias à sua gestão.

A intervenção da Justiça foi solicitada pela Funarte em pedido de liminar enviado pela Advocacia-Geral da União em 9 de julho. De acordo com a fundação, os coletivos seriam responsáveis por depredações à instituição.

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Camila nega atos de vandalismo. Ela afirma que, quando chegaram à Funarte, os artistas encontraram instalações que já estavam deterioradas -como escoras de pia enferrujadas e espelhos apoiados com cortiça e prego". Ressalta ainda que, em um local que não está habituado a receber grande público e com manutenção precária, é esperado que haja atrações com até mil pessoas causem alguns prejuízos "devido ao desgaste natural".

Segundo outro porta-voz identificado como Lourival, houve mais de 300 atividades de artistas que ali se estabeleceram nos últimos dois meses, o que levou um público "nunca antes visto" à Funarte.

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