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Na véspera da convenção democrata, manifestantes apoiam Sanders

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MARCELO NINIO, ENVIADO ESPECIAL

FILADÉLFIA, EUA (FOLHAPRESS) - Saem os homens com fuzis a tiracolo e seu ódio declarado a muçulmanos, entram senhoras de meia idade em defesa do meio ambiente. Já na comparação inicial das ruas, os contrastes são marcantes entre a convenção republicana da semana passada, da qual Donald Trump saiu como candidato à Presidência, e o encontro democrata, que começa nesta segunda (25) e deve confirmar Hillary Clinton como a adversária do magnata nas eleições de novembro.

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Milhares de manifestantes se reuniram neste domingo no centro da Filadélfia (nordeste), sede da convenção democrata, para o primeiro grande protesto da semana, em defesa do meio ambiente e de fontes limpas de energia. Embora o ato não tenha sido associado um candidato específico, a maioria era favorável ao senador Bernie Sanders, derrotado por Hillary nas prévias democratas.

Muitos não escondiam que ainda sonham com uma virada de mesa de última hora para que Sanders seja indicado como o candidato do partido, mesmo admitindo ser quase impossível.

"Precisamos de mudanças drásticas e isso jamais acontecerá com a Hillary, ela é a candidata dos barões da política e do mercado financeiro", disse a professora Kelly Pierpoint, de Burlington, a cidade no Estado de Vermont (nordeste), onde Sanders foi prefeito e fez sua carreira política. "Ainda há uma pequena esperança de que as regras possam ser mudadas na convenção."

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Mas essa é a aposta de uma minoria, mesmo entre os apoiadores de Sanders que o consideram vítima de um sistema injusto, por ter garantido uma grande vantagem inicial para Hillary com o apoio dos "superdelegados" —dirigentes do partido que não precisam seguir o resultado das prévias.

"Não acho justo, mas já dei essa batalha como perdida", diz a escritora Beverly Seinberg, que ao contrário de Pierpoint se resignou a votar em Hillary, mesmo sem confiar nela. "Tudo, menos Trump. Pena que o candidato democrata não seja o Bernie, com ele seria bem mais fácil vencer."

Com temperaturas acima de 35ºC, a previsão é de calor intenso na Filadélfia, sede da convenção democrata que começa nesta segunda (25) e deve confirmar Hillary Clinton como a candidata do partido governista à Presidência dos EUA. O termômetro político também promete tempo quente, com milhares de manifestantes nas ruas da cidade até o fim da convenção, em meio a uma gigantesco esquema de segurança para evitar que os protestos saiam do controle.

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Alguns "sanderistas" torcem para que a temperatura também suba dentro da convenção. "Hillary roubou a convenção do Bernie, espero que os delegados que votaram nele façam barulho", disse a artista e chef Nancy Scancellow, de Nova York.

A revolta aumentou depois da divulgação de 20 mil e-mails na última sexta, que sugerem que líderes do Comitê Nacional Democrata (CND) tentaram ajudar a campanha de Hillary nas prévias. Em consequência, o partido decidiu cancelar o discurso que a presidente do CND e um dos pivôs do escândalo, Debby Wasserman Shultz, faria durante a convenção.

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