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ATUALIZADA - Ataque reivindicado pelo Estado Islâmico mata ao menos 80 em Cabul

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 80 pessoas morreram e outras 231 ficaram feridas após explosões provocadas por dois homens-bomba durante uma manifestação em Cabul, capital do Afeganistão, neste sábado (23), segundo informou o ministro do Interior do país.

De acordo com o ministro da Saúde do Afeganistão, os feridos, muitos deles mutilados, foram encaminhados para hospitais próximos à cidade. O número de mortes ainda deve aumentar, pois a "condição de muitos dos feridos é muito séria", acrescentou.

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O ataque foi reivindicado pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que divulgou um comunicado por meio da agência de notícias Amaq, um de seus órgãos de propaganda.

No texto, a agência afirma que dois militantes do EI teriam detonado cintos explosivos em meio a manifestantes afegãos ?da minoria xiita hazara?, que reivindicavam mudanças na rota de um projeto multimilionário de transmissão de energia entre o Turcomenistão e Cabul. Eles defendem que o projeto passe por duas províncias habitadas por maioria hazara.

Se a autoria do EI for confirmada, o atentado marcará o primeiro ataque da milícia à capital afegã. Até então, o grupo extremista vinha agindo ao longo da fronteira oriental do Afeganistão, na divisa com o Paquistão.

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Segundo o porta-voz do presidente do Afeganistão, o governo recebeu informações da inteligência do país sobre a realização de um possível ataque durante o protesto e avisou os organizadores da marcha.

Ele disse que o presidente Ashraf Ghani planejava se encontrar com os organizadores neste sábado. Nenhum dos líderes da manifestação foram encontrados para comentar a declaração.

HAZARAS

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O atentado é considerado o pior no país em meses -em abril, mais de 60 pessoas morreram em ataques contra escritórios utilizados pelos serviços de segurança do país.

Os hazaras, cuja população estimada representa 9% da densidade demográfica do Afeganistão, são a terceira maior minoria no país, alvo recorrente de discriminação. Milhares deles foram mortos durante o regime do Talebã.

O grupo extremista, que é inimigo do Estado Islâmico, divulgou comunicado negando qualquer envolvimento com o ataque. "Nós nunca faríamos parte de um incidente para dividir a população afegã."

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REPERCUSSÃO

Neste sábado (23), a Casa Branca emitiu um comunicado no qual condena o ataque em Cabul. "Esse ataque hediondo é ainda mais desprezível pelo fato de ter visado uma manifestação pacífica", disse em nota. "Continuamos comprometidos em unir forças com a segurança do Afeganistão para confrontar ameaças à segurança, à estabilidade e à prosperidade do pais."

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou, em nota enviada à imprensa, que "recebeu com consternação" a notícia sobre o atentado em Cabul.

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"O governo condena nos termos mais veementes este ato de barbárie e expressa sua solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e ao governo afegãos", diz o comunicado.

O ministério brasileiro diz apoiar o Afeganistão no sentido de conter atos de violência sectária.

O presidente russo Vladmir Putin também se manifestou. Segundo o Kremlin, ele mandou uma mensagem ao presidente afegão, Ashraf Ghani, propondo que combatam todas as formas de terrorismo juntos.

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