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Jovem preso no Rio era introspectivo, dizem parentes e amigos

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ALFREDO MERGULHÃO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um jovem introspectivo, calado e cabisbaixo, com exceção dos momentos em que falava de suas convicções religiosas. Assim Alisson Luan de Oliveira, 19, um dos dez presos na Operação Hashtag, de combate ao terrorismo, foi descrito por parentes e amigos.

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Morador de Saquarema, na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, Alisson era adepto do islamismo há pouco mais de dois anos. Converteu-se em uma mesquita na cidade de São Paulo.

"Ele conheceu essa religião na internet e começou a praticar mais depois que foi à São Paulo visitar uma mesquita. Começou a receber livros e estudar o islamismo. Estava até aprendendo árabe", disse o padrasto do jovem.

Autônomo que trabalha com reciclagem de computadores, o padrasto não quis se identificar, pois afirmou ter recebido ordem expressa da Polícia Federal para não conceder entrevistas.

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Ele atendeu a Folha de S.Paulo na porta de casa, um sobrado nos fundos de uma lanchonete, com as paredes sem pintura, localizado no distrito de Bacaxá.

O computador usado por Alisson continuava na sala, logo na entrada da residência onde o jovem vivia com o padrasto, a mãe e um irmão, numa rua próxima ao estádio de futebol do Boa Vista, time do município.

O jovem foi preso em casa às 6h de quinta (21). Segundo o padrasto, os policiais agiram sem truculência, apesar de terem revirado todo o imóvel.

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"Eles levaram todos os HDs que eu tinha para trabalhar e dois celulares do Alisson", disse. A família do suspeito não sabia que ele tinha um dos telefones.

"Aqui, eu verificava tudo, mas ele tinha um celular que a gente não sabia. O que eu monitorava não tinha nada", contou o padrasto.

Alisson não costumava pregar sua fé para as pessoas na tentativa de convertê-las, segundo os que o conheciam. Mas usava redes sociais para irradiar sua crença.

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Foi assim que os amigos e parentes souberam da admiração que ele tem pelo Estado Islâmico.

"As pessoas comentavam que uma hora ele acabaria preso. Falaram isso tanto que, no dia que aconteceu de verdade, a gente achou que era boato", afirmou Romulo Almeida, dono de um supermercado onde Alisson trabalhou de julho a novembro de 2015.

"A polícia esteve aqui duas vezes nos últimos dez dias. Fizeram interrogatório comigo, pedindo informações sobre ele", contou o ex-patrão.

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Alisson trabalhava como empacotador no caixa operado por Moisés Mesut, 20. "Ele falava muito de Alá e tinha umas leis meio malucas, como não comer até o por do sol", disse Mesut, referindo-se ao jejum dos muçulmanos no mês do Ramadã.

"Ele falou uma vez que seria capaz de ser homem-bomba e algumas pessoas passaram a chamá-lo de Bin Laden", afirma o ex-colega de trabalho.

"Depois que ele saiu do supermercado, ficou sem aparecer por um tempo e disse que esteve na Turquia, tentando chegar a Síria, mas foi deportado" disse Mesut. O padrasto de Alisson nega que ele tenha saído do país.

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A prisão do jovem surpreendeu os moradores da rua onde ele morava. "Eu fiquei impressionada porque ele é de família muito boa", disse a vizinha Angela Maria dos Santos, 55.

Também fez com que rumores começassem a circular, como o de que uma escola técnica que ficava numa rua próxima à de Alisson seria um alvo potencial.

"Ontem [quinta, 21] estava cheio de polícia aqui, hoje disseram que ele queria explodir a Faetec. Para mim ele é um bom garoto, que cria sete gatos", disse Angela Maria.

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