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Suspeito que vivia no PR se converteu ao Islã, dizem colegas

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DIEGO ANTONELLI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Há 20 dias, Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, 21, começou a trabalhar como operador de caixa em uma rede de supermercado no bairro Santa Cândida, em Curitiba. Todo dia ele utilizava uma linha de ônibus metropolitano na cidade de Colombo em direção à capital paranaense.

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Geralmente iniciava o trabalho às 15h. A rotina terminou na última quinta-feira (21), quando foi preso na Operação Hashtag com outras nove pessoas suspeitas de associação com terrorismo às vésperas da Olimpíada, que começa em duas semanas.

Considerado pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, como suposto líder do grupo --o que foi negado posteriormente pelo juiz da 14ª Vara Federal de Curitiba, Marcos Josegrei da Silva--, Levi fez poucos amigos no trabalho.

Introvertido, costumava ficar quieto em sua função na rede de supermercados. Funcionários ouvidos pela reportagem, que não quiseram se identificar, dizem que Levi contou ter se convertido do cristianismo para o islamismo.

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"Ele e a irmã dele [eram muçulmanos]. Ela usava desses turbantes [sic] na cabeça", contou um dos funcionários do supermercado. A reportagem não localizou a irmã do suspeito.

Outro empregado afirma tê-lo encontrado um dia jogando sinuca com outros colegas do mercado e que nunca foi visto bebendo. "Ele era bem na dele."

Oficialmente, a rede de supermercados não se pronunciou sobre o caso e apenas confirmou que ele era funcionário no local.

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BARBA

Nos primeiros dias de trabalho, colegas contam que Levi usava uma barba comprida e cabelo bem curto. Posteriormente ele aparou a barba. "Mas ele era esquisito. Tinha um olhar estranho. Fiquei assustado com essa situação [prisão de Levi]", relata outro funcionário.

Em Colombo, cidade onde morava, ninguém soube informar o local de sua residência. Mas a maioria dos moradores se mostrou surpresa com a prisão.

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Levi era natural de Guarulhos e, segundo um site de empregos, estava cadastrado como operador de telemarketing. Ele teria exercido a função entre dezembro de 2014 a fevereiro de 2015, em São Paulo. Ele não tem antecedentes criminais.

Nas redes sociais, o paranaense teria jurado lealdade ao Estado Islâmico e convocado os demais a iniciarem uma espécie de preparação, com treinamento de artes marciais e de tiro.

Ele se identificava na internet como como Muhammad Ali Huraia. Também participava de grupo em rede social chamado "Defensores da Sharia", a lei islâmica.

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NÃO-FREQUENTADOR

Segundo a assessoria da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, Levi não frequentava os dois locais disponíveis para oração aos muçulmanos em Curitiba --uma mesquita, na região central, e uma mussala (espécie de templo menor) no bairro Santa Felicidade,

Ele nunca frequentou aulas de árabe ou de religião nos dois locais. "Tudo o que o Estado Islâmico prega é contra a nossa religião. Jamais defendemos a violência", afirmou o diretor de comunicação da entidade, Omar Nasser.

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Em nota, a Sociedade Beneficiente Muçulmana do Paraná declarou "sua surpresa e repúdio em relação a qualquer pessoa, brasileiro ou não, que use o islamismo como escudo ou pretexto para perpetrar atos terroristas, no Brasil ou em qualquer parte do mundo".

A entidade manifestou apoio às autoridades que investigam o caso e reafirmou "o caráter espiritual, tolerante e solidário da religião islâmica, uma crença monoteísta que possui cerca de 1,6 bilhão de seguidores no mundo todo e cresce, também, no Brasil". Afirmou ainda que a prisão desta semana no Brasil "revela, na verdade, o caráter anti-islâmico deste grupo criminoso que não representa o Islã".

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