Jovens 'trumpistas' sonham repetir o sucesso do magnata
MARCELO NINIO, ENVIADO ESPECIAL
CLEVELAND, EUA (FOLHAPRESS) - Com uma das mãos chacoalhando um copo de uísque e outra erguida para o alto, Todd Chace, 21, soltava gritos que ecoavam na arena toda vez que o nome de Donald Trump era mencionado. Acomodado em um camarote com amigos de faculdade em Nova York, arranjado pelo pai, ele era um dos mais entusiasmados do grupo reunido na convenção republicana, que confirmou o magnata como o candidato do partido à Presidência.
"Trump é o futuro, os jovens tem que apoiá-lo", disse Todd, de terno azul marinho, camisa branca e gravata vermelha, numa reprodução do clássico estilo Trump. "Não acredite nessa história de que os jovens estão contra ele. Muitos mentem".
Desde o começo da temporada eleitoral americana, os jovens foram sido quase sempre associados ao senador Bernie Sanders, pré-candidato democrata foi derrotado por Hillary Clinton numa disputa acirrada. Com suas promessas de tornar o ensino universitário gratuito e lutar contra os poderosos de Wall Street, ele criou uma legião de fãs abaixo dos 30 anos.
A ex-secretária de Estado deve herdar parte significativa desse apoio, de acordo com pesquisas de opinião, principalmente entre os eleitores de primeira viagem.
Em uma sondagam da consultoria de mídia Morning com mais de 23 mil eleitores registrados, Hillary teve o apoio de 47% dos entrevistados entre 18 e 29 anos, Trump ficou com 30%. Os 23% restantes afirmaram estar em dúvida, o que deixa um espaço razoável para o bilionário nessa faixa.
JOVENS TRUMPS
Pam Cassidy, 23, estudante de jornalismo do Colorado, foi uma das que desceram do muro em favor do bilionário durante a convenção. Republicana, mas a princípio incomodada com os comentários rudes do magnata sobre mulheres, ela foi contagiada pela "trumpmania".
"Vi um lado dele que não conhecia, o entusiasmo das pessoas por ele e a união da família Trump", afirmou. "Para mim, o mais importante é a segurança do país, e com ela a América ficara segura".
Versões juvenis de Trump, de terno e gravata, circulam em bando pelas ruas de Cleveland, alguns mal chegados à idade de votar. Para eles, os bilhões de Trump são o chamariz para torná-lo um modelo. "Claro que quero ser como ele", diz Carl, 17, que pede para não ter o sobrenome divulgado porque toda a família é democrata. "Ele é a imagem do sucesso que quero para mim e para o país".
A experiência no mundo dos negócios e a capacidade de impulsionar a economia é o que também atrairá jovens de camadas sociais mais baixas a votar em Trump, acredita Richard Grenell, comentarista da Fox News que apoia o bilionário. "As pessoas querem que a economia gere empregos", disse à Folha. "Hillary Clinton não sabe fazer isso. No momento do voto, os jovens pensarão em trabalho".
Em uma das campanhas mais polarizadas da história, as pesquisas mostram prioridades diferentes ente os dois campos políticos. De acordo com um estudo com jovens feito pela Universidade Harvard, para os eleitores de Hillary elas são a igualdade social e a união do país. Já entre os simpatizantes de Trump , o mais importante é imigração e o combate ao terrorismo.
