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Temendo terroristas na Rio-2016, Brasil consulta governo francês

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FERNANDO EICHENBERG

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O diretor de contraterrorismo da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Luiz Alberto Santos Sallaberry, manteve em Paris contatos com colegas franceses para buscar informações sobre o atentado terrorista que matou 84 pessoas em Nice, no 14 de julho.

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A intenção é usar as informações como prevenção em eventuais ataques durante os Jogos Olímpicos. Sallaberry, que se recusou a comentar as prisões ocorridas nesta quinta-feira (21) no Brasil, alegando que a comunicação neste caso cabe exclusivamente ao Ministério da Justiça, disse ainda que a Abin recebe diariamente dezenas de denúncias terroristas, que são avaliadas e investigadas minuciosamente.

"O principal nível de ameaça é aquele já previsto, que são os lobos solitários. Essa é uma tendência mundial. Não se verifica apenas no nosso país. Hoje, se colocam como principais desafios para as áreas de inteligência e segurança estes lobos solitários", afirmou Sallaberry.

O diretor definiu os planejamentos da agência como "prontos e robustos", mas ressaltou que aperfeiçoamentos sempre poderão ocorrer;

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"Pequenos ajustes podem ser necessários. Vamos ver qual a expertise da França, estamos investigando o atentado [de Nice], vamos levar estas informações as nossas autoridades para que tomem as decisões que acharem mais adequadas. O objetivo principal da nossa viagem foi esse. Ampliar o nível de cooperação, especialmente neste momento, e buscar as expertises dos processos de investigação tanto na área de inteligência como na área policial", afirmou

Sobre a ameaça terrorista constante no país neste período, Sallaberry diz que "dezenas de supostas ameaças" são recebidas por dia.

"Avaliamos com critério, e todas aquelas que têm uma necessidade de investigação são minuciosamente investigadas. Não pode é tudo que aparece de alguma forma de uma fonte não oficial seja tratado como uma verdade. Isso vai gerar um tipo de inquietude e de alarmismo na sociedade que não é bom para ninguém neste momento. Especialmente neste momento", afirmou.

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O grupo brasileiro, integrado ainda por Ronaldo Zonato Esteves, coordenador de Análise, e delegado da Polícia Federal Camilo Graziani Caetano Paes de Almeida, coordenador-adjunto do Centro Integrado Antiterrorismo, teve encontros com agentes franceses da DGSI e DGSE (Direção Geral de Seguramça Interior e Exterior), DRM (Direção Geral de Inteligência Militar) e UCLAT (Unidade de Coordenação da Luta Antiterrorismo).

"Tivemos reuniões com vários órgãos, o volume de informações ainda é muito grande. Vamos ter de 'deglutir' isso com um pouco mais de calma, pensar melhor nas informações que recebemos, para ver qual a melhor forma de lidar com isso. Certamente, estamos saindo daqui com um conjunto de informações que são especialmente importantes para o trabalho de inteligência e de segurança para os Jogos Olímpicos".

FRANÇA

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Os principais veículos da imprensa francesa, como os jornais "Le Monde", "Le Figaro" ou "Libération", e a mídia do país em geral, têm revelado preocupação com a possibilidade de um atentado terrorista durante os Jogos, principalmente após o massacre em Nice. Na expectativa de um afluxo de cerca de 500 mil turistas e atletas no período da importante competição internacional, é impossível de excluir o Rio como alvo de um ataque terrorista.

"Os Jogos Olímpicos representam uma oportunidade única para o Estado Islâmico fazer falar dele. Mesmo se há poucos recrutamentos sul-americanos no EI, e que ele não possui os meios nem a rede necessária para enviar pessoas, vemos hoje que terroristas agem sem instruções. Basta uma ou algumas pessoas no Brasil contaminadas via Internet e que atuariam por mimetismo para que ocorra um atentado", avaliou Antoine Basbous, especialista do mundo árabe, do islã e do terrorismo islamista em entrevista publicada esta semana no jornal 20 Minutes.

Segundo ele, se o EI conseguir cometer um atentado no continente sul-americano, poderá dizer que possui partidários prontos a agir em qualquer lugar do mundo.

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Na mesma publicação, Jean-Jacques Kourliandsky, especialista em América Latina do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas assinala o Brasil como um país em que se pode facilmente encontrar armas, com uma grande comunidade sírio-libanesa e numa situação política social e econômica bastante conturbada atualmente.

"Neste contexto, as autoridades locais, incluídos os serviços de polícia, não estão verdadeiramente mobilizadas. As relações são detestáveis entre as forças de segurança e as populações mais pobres. Isso pode inquietar a segurança dos Jogos Olímpicos", sustentou.

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