Agência livra laboratório brasileiro de suspensão
PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADO ESPECIAL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Agência Mundial Antidopagem (Wada, na sigla em inglês) decidiu, nesta quarta-feira (20), liberar o LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem) da suspensão provisória imposta no dia 24 de junho.
Encarregado desde o início da campanha pelos Jogos Olímpicos de processar as análises antidoping do evento, ele era o único laboratório do país com a certificação da agência mundial. Os Jogos Olímpicos ocorrerão entre 5 e 21 de agosto, e os Paraolímpicos entre 7 e 18 de setembro.
De acordo com o Ministério do Esporte, a nota foi assinada por Craig Reedie, presidente da Wada, e a decisão tem efeito imediato.
A instalação fica no Rio, dentro de um prédio da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e sua renovação teve um custo total de R$188 milhões, todo bancado pelo governo federal.
A operação do LBCD durante os Jogos ficará a cargo da própria equipe do laboratório. A Folha de S.Paulo apurou que a Wada cogitou liberar a instalação mas deixar os procedimentos nas mãos de especialistas estrangeiros. O LBCD seria, assim, o que é chamado de laboratório-satélite.
Porém, de acordo com o diretor da instalação, Francisco Radler, a agência mundial decidiu por manter o trabalho durante a Olimpíada sob sua tutela.
Ele receberá um intenso reforço de estrangeiros para ajudar na realização dos testes, uma vez que a demanda crescerá exponencialmente nos Jogos --a previsão é a de que sejam feitos entre 5.000 e 6.000 exames antidoping.
No momento, segundo Radler, 89 especialistas vindos do exterior já têm auxiliado sua equipe. No auge do evento, aproximadamente 400 técnicos trabalharão no laboratório.
Ele afirmou que durante a suspensão o LBCD continuou a operar parcialmente, mesmo sem poder processar análises de sangue e urina.
"Não deixamos de nos preparar, mesmo com a punição da Wada", afirmou.
O LBCD, que anteriormente se chamava Ladetec, recebeu sua primeira certificação da Wada em 2002. A instalação perdeu a credencial em 2013, devido sobretudo à defasagem de seus aparelhos, e a readquiriu em maio de 2015 antes de perdê-la novamente, em junho passado.
Caso o laboratório não obtivesse a certificação novamente, havia duas opções engatilhadas: trazer estrangeiros para gerir o equipamento ou enviar as amostras laboratório francês credenciado pela entidade, o que ocasionaria mais custo e demora no processamento dos testes.
