ATUALIZADA - Turquia amplia expurgo e anuncia o fechamento de mais de 600 escolas
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais de 600 escolas privadas e residências estudantis serão fechadas como parte do expurgo realizado pelo governo de Recep Tayyip Erdogan depois da tentativa de golpe de Estado de sexta-feira (15).
Além do fechamento das escolas, cerca de 6.500 funcionários do Ministério da Educação da Turquia foram suspensos.
O expurgo sobre a educação turca ocorre porque o governo acredita que escolas têm ligação com o clérigo autoexilado nos EUA Fetullah Gülen. Gülen nega envolvimento com o golpe e acusa Erdogan de promover uma "caça às bruxas".
Até o momento, cerca de 60 mil soldados, policiais, juízes e professores foram demitidos, suspensos, presos ou estão sendo investigados por suspeitas de envolvimento no golpe. Um novo balanço oficial eleva para 312 o número de mortos na revolta, civis em sua maioria.
O expurgo decidido pelo poder turco após a tentativa de golpe de Estado afeta grandes setores da sociedade, do exército aos meios de comunicação, passando pelas universidades e a magistratura. Por enquanto, cerca de 10 mil pessoas foram detidas.
Dois integrantes da corte constitucional da Turquia foram presos nesta quarta-feira, informou a emissora privada NTV, em um momento em que o governo amplia o expurgo no judiciário, no serviço público, nas forças militares e na educação após um golpe fracassado no país.
Os dois membros da corte constitucional estão no grupo de 113 funcionários do Judiciário formalmente presos nesta quarta-feira, disse a NTV. Acusações formais também foram feitas contra um assessor do presidente Tayyip Erdogan, segundo a emissora.
Ao menos 9.322 militares, magistrados e policiais enfrentam um "processo judicial", segundo o vice-primeiro-ministro Numan Kurtulmus.
O golpe fracassado e os expurgos que se seguiram têm abalado seriamente a Turquia, um país de quase 80 milhões de pessoas que faz fronteira com a Síria e é um aliado do Ocidente contra o Estado Islâmico.
Enquanto o presidente Recep Tayyip Erdogan cogita uma possível reinstauração da pena de morte no país, a depuração se concentra em pessoas próximas ou partidárias do pregador Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos desde 1999 e acusado de ser o instigador do golpe.
DE VOLTA A ANCARA
De volta a Ancara pela primeira vez desde a tentativa de golpe de Estado no país, o presidente turco presidiu nesta quarta-feira (20) uma reunião do Conselho de Segurança Nacional de quase cinco horas, em meio ao embate com a oposição.
A seus simpatizantes em Istambul, Erdogan informou que, após a reunião, fará um anúncio "importante", nesse momento de instabilidade no país.
"Quase diariamente são tomadas novas medidas que são contrárias a um modo de atuação respeitoso com o Estado de Direito", declarou à imprensa Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel, referindo-se às represálias de Erdogan.
Ambas as reuniões aconteciam, no momento em que o governo estende seu processo de depuração em massa ao Exército, à Polícia, ao Poder Judiciário e à educação.
EDUCAÇÃO
O Conselho de Ensino Superior (YÖK) exigiu a renúncia de 1.577 reitores e decanos das universidades públicas e das que estão vinculadas a fundações privadas, segundo a mesma agência.
O YÖK proibiu nesta quarta-feira os professores universitários de fazer viagens a trabalho ao exterior e convocou as universidades com professores que realizam missões no exterior a fazer com que eles voltem ao país o quanto antes.
O organismo público também convocou os reitores "livres de suspeita" a "examinar urgentemente a situação de toda a equipe docente e administrativa" vinculada ao clérigo Fethullah Gülen, acusado de orquestrar o golpe de Estado. Os reitores devem apresentar suas conclusões no dia 5 de agosto.
Segundo o Hurriyet, será retirada a licença de 21.000 funcionários da educação privada, que estarão proibidos de ensinar a partir de agora.
WIKILEAKS
As autoridades turcas bloquearam nesta quarta-feira o acesso ao site WikiLeaks, após a publicação de quase 300 mil mensagens eletrônicas de responsáveis do partido político no poder na Turquia, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP).
O WikiLeaks disse que estas mensagens eletrônicas são provenientes do site do Partido, akparti.org.tr, e versavam, em particular, sobre assuntos internacionais, e não "sobre as questões mais sensíveis da política interna".
A organização acrescentou que estes e-mails foram trocados entre 2010 e 6 de julho deste ano, portanto foram obtidos antes da tentativa de golpe de Estado de 15 de julho.
A fonte destas mensagens eletrônicas "não tem nenhum vínculo com os elementos (que estiveram por trás) da tentativa de golpe de Estado, ou com um partido (político) rival ou outro Estado", afirmou.
Um responsável turco confirmou que o site WikiLeaks havia sido bloqueado por motivos "de violação da vida privada e a publicação de informação obtida ilegalmente".
BRASIL
O Brasil é citado em 40 e-mails do partido turco vazados pelo WikiLeaks. A maioria deles trata de questões econômicas de mercados emergentes, mencionando a instabilidade brasileira como sendo algo a ser observado de perto.
Apenas dois aparentam ter um pouco mais de relevância. Um deles trata do reconhecimento do genocídio armênio pelo Senado brasileiro, em maio de 2015. O email defende o envio de comentários em inglês em sites que dão a notícia, chamando o genocídio de "mentiras centenárias".
O outro e-mail, ao tratar de terrorismo armênio e terrorismo islâmico, cita uma organização supostamente ligada a al Qaeda, que, no ano 2000, teria membros espalhados por Inglaterra, França, EUA, Rússia, Argentina, Brasil e outros países. O Brasil não tem destaque, e é apenas citados como um dos lugares mencionados numa longa lista.
