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Líder do 'brexit' é recebido como herói em convenção republicana

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MARCELO NINIO, ENVIADO ESPECIAL

CLEVELAND, EUA (FOLHAPRESS) - Odiado por muitos britânicos e europeus, Nigel Farage foi recebido como herói na convenção do Partido Republicano em Cleveland (Ohio) que na terça (19) confirmou Donald Trump como candidato à Presidência.

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Um dos líderes da campanha pela saída do Reino Unido da União Européia, Farage teve dificuldade de deixar o local, cercado de republicanos ávidos por uma foto a seu lado. Seu sucesso com os fãs de Trump não o surpreendeu.

"Há muitos eleitores nos dois países cansados de políticos que os tratam com paternalismo. Eles querem líderes que falem a verdade", disse Farage nesta quarta (20) durante um evento paralelo à convenção. "Trump acerta ao falar de coisas que outros preferem varrer para debaixo do tapete".

Farage veio a Cleveland a convite do Partido Republicano, segundo ele interessado em saber como a campanha do "brexit" conseguiu mobilizar eleitores que há anos não iam às urnas. "Eles acham que podem aprender alguma coisa", disse.

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O discurso ultranacionalista e contra os imigrantes de Farage levou a comparações com a campanha de Trump, cujo slogan é "Faça a América grande novamente". O político britânico reconhece que a retórica anti-imigração foi crucial para a saída da UE ter saído vitoriosa no plebiscito de junho.

"Se nossa campanha tivesse sido unicamente em torno de soberania e autodeterminação, teria sido muito difícil vencer", afirmou, negando que a retórica tenha sido xenófoba. "Apenas acreditamos que nós é que devemos decidir quantas pessoas entram em nosso país, não a UE".

Farage também negou que tenha sido movido por um espírito isolacionista -uma crítica também feita a Trump- ou antieuropeu. "Não é o caso. Trabalhei anos numa empresa francesa antes de ser demitido. E sou casado com um alemã, então ninguém precisa me dizer como é viver sob controle alemão", brincou.

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Conhecido por seus ataques a Barack Obama, Farage já o chamou de o presidente americano mais antibritânico da história, por suas declarações contra o "brexit". Na verdade, disse, Obama acabou tendo um papel importante para o resultado do plebiscito britânico.

"Vou ser eternamente grato a Obama, porque ele veio a nosso país e foi rude, nos disse o que fazer. E isso deu grande impulso ao 'brexit'. Obrigado, Obama, por nos ajudar a vencer o plebiscito", disse.

Embora cauteloso para não repetir o mesmo "erro" de interferir no processo político de um país estrangeiro, Farage não escondeu sua admiração por Trump, com reservas a certos pontos da campanha do magnata, como a proposta de vetar a entrada de muçulmanos no país, que "seria muito difícil de implementar". Mas também não hesitou em alfinetar a provável rival democrata de Trump na eleição presidencial, Hillary Clinton.

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"Não votaria na Hillary nem se me pagassem", disse. Farage não foi convidado para a convenção democrata que deve confirmar a candidatura de Hillary, na semana que vem.

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