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Buenos Aires registra cem protestos de 'panelas populares' contra Macri

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LUCIANA DYNIEWICZ

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O trânsito desta terça-feira (19) em Buenos Aires ficou travado por causa das "panelas populares", um modelo de manifestação em que os argentinos armam uma fogueira no meio da rua e cozinham mate na panela.

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Foram cem protestos realizados durante o dia em diversos pontos e diferentes horários, das 7h às 20h, sempre bloqueando ao menos uma parte de uma via da cidade.

Os manifestantes criticavam a política econômica do presidente Mauricio Macri, que desencadeou uma inflação de 29% nos seis primeiros meses deste ano na capital.

"A inflação está comendo os salários e causando fome. As 'panelas populares' são uma forma de resistência na Argentina", disse Rafael Klejzer, diretor da Confederação de Trabalhadores de Economia Popular, uma das entidades organizadoras dos protestos.

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Os cem atos desta terça-feira, que farão disparar o número de manifestações realizadas na Argentina neste ano, representam um dos desafios do governo de Mauricio Macri.

De janeiro a junho, 3.241 protestos bloquearam ruas no país, uma média de 18 por dia.

Desde 2009, quando a consultoria Diagnóstico Político começou a fazer o levantamento, apenas 2014 registrou um índice mais elevado para os seis primeiros meses do ano (3.499).

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"E isso vai piorar, já que não há perspectiva de que os problemas sejam resolvidos", acrescentou Klejzer.

Além da insatisfação com a economia (o PIB caiu 0,7% no primeiro trimestre), a relação entre as agrupações sociais que lideram os protestos com o peronismo (movimento político de oposição a Macri) está entre os motivos que têm levado a população às ruas.

No começo deste ano, o presidente publicou um protocolo que permitia o uso da força para tentar reprimir as manifestações. A medida, porém, praticamente não foi adotada.

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O costume local é os manifestantes ocuparem uma rua central e a polícia aguardar a liberação da via. Representantes das forças de segurança mantêm, na maioria das vezes, diálogo com os organizadores para saber o horário em que o ato será encerrado.

Para o diretor da Diagnóstico Político, Patricio Giusto, o protocolo que permite o uso da força representou a vontade de Macri em reduzir o bloqueio de ruas. Não houve, no entanto, intenção política para colocá-lo em prática.

"Há um risco em utilizar as forças de segurança, e o presidente não quer arcar com isso agora", diz Giusto.

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Durante o kirchnerismo, a postura adotada foi, em vez de reprimir, montar associações que tomassem as ruas e divulgassem suas próprias ideias.

HISTÓRICO

A "cultura do piquete", como é chamado no país o costume de protestar, surgiu no fim dos anos 1990, com o aumento do desemprego, e ganhou força na crise de 2001.

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Em 1997, as manifestações tiveram sucesso na negociação de programas de emprego e acabaram sendo incorporadas à cultura local, conta Ana Cecilia Dinerstein, doutora em sociologia e autora de um livro sobre o assunto.

"Hoje, a impressão é que se faz protesto por tudo", diz.

Até grupos de vizinhos fecham vias para reclamar, por exemplo, da falta de luz. Trabalhadores de empresas do Estado, porém, são quem costumam organizar a maioria dos atos.

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Em junho, o mês mais tranquilo do ano até agora, com 465 bloqueios de ruas, houve 201 manifestações de servidores públicos.

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