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Republicanos do Texas se dizem 'Trump desde criancinha'

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, ENVIADA ESPECIAL

CLEVELAND, EUA (FOLHAPRESS) - Depois de jurar fidelidade às bandeiras do Texas e dos EUA, cantar o hino nacional, rezar "pelo senhor Jesus Cristo", comer muffin com suco de laranja e gritar "amém!" e "irrá!" em uníssono, a delegação do Texas está pronta para começar o dia.

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O presidente da Câmara, Paul Ryan, é o convidado especial do café da manhã acompanhado pela Folha de S.Paulo nesta terça (19), segundo dos quatro dias da Convenção Nacional Republicana.

"Parabéns por entender de verdade o que liberdade significa", diz o deputado de Wisconsin, um dos mascotes do conservadorismo americano.

"Nem todos os lugares são assim. Vocês já foram a San Francisco?", continua Ryan, divertindo a plateia ao achincalhar um dos bastiões progressistas do país.

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Na véspera, ele havia dito Trump não é seu "tipo de conservador", mas a legenda precisava se unir em torno dele.

Afirmou à audiência texana: "Dentro do partido temos, digamos, uma grande discussão de família".

Passou para a metáfora predileta dos políticos, a esportiva.

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O Estado tem muitos times de futebol americano. "Mas, se um deles avança para o campeonato nacional, você não vai torcer pelos Aggies mesmo se for da Longhorn?", afirma, evocando duas torcidas locais.

O discurso foi transmitido ao vivo pelo canal C-Span, e Ryan foi alvo da fúria das redes sociais. Seria o equivalente, no Brasil, a pedir para um flamenguista se entusiasmar com o Vasco.

NO TEXAS É ASSIM

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Segundo maior Estado americano, o Texas envia 155 representantes à convenção, em Cleveland (Ohio). Com uma superprodução, a cada quatro anos o partido referenda seu candidato à Casa Branca.

Somando suplentes e convidados, a comitiva chega a 400 pessoas. Só a primeira refeição do dia, para a temporada, custará US$ 4.000.

Os texanos sabem causar uma primeira impressão.

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Desde 2008, a carreata sulista combina roupas: jeans azul, blusa da bandeira texana e chapéu de caubói (fivelas com o nome do Estado são opcionais, mas recomendáveis).

Na quadra da Quicken Loans Arena, sede da convenção, é das mais empolgadas, sincronizando passos de dança e tirando literalmente o chapéu quando algum orador a agrada.

Um dos mais aplaudidos, na noite de segunda (18), foi o ex-governador Rick Perry, que costumava se referir a Trump como um "câncer do conservadorismo".

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Como Perry, a maioria dos delegados era a princípio avessa ao magnata. Ted Cruz, senador local, ganhou as prévias por lá com 44%, quase o dobro de Trump.

DE BUSH A TRUMP

O Texas é ainda a terra do clã Bush, que virou as costas para o político de primeira viagem.

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Hoje, contudo, a delegação é "Trump desde criancinha", diz a delegada JoAnn McCracken, 77.

Ela entrega seu cartão de visitas, no qual sua ocupação é ser "patriota", e explica por que apoiou o empresário desde o primeiro momento, ao contrário de muitos colegas.

"Ele pode não ser politicamente correto, mas não é disso que precisamos. E é homem de verdade. Tem testosterona, entende? Minhas amigas o adoram."

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"Amamos nossas armas", diz ela, que dorme com um revólver 38 sob o travesseiro.

RACISMO

JoAnn tem medo. Hoje confessa que muda de calçada se um negro cruza seu caminho.

Acha que o país está muito dividido e acusa o presidente Barack Obama de incentivar o racismo, ao não defender, por exemplo, o segurança branco que matou Trayvon Martin, 17, na Flórida.

O estudante afroamericano voltava de uma loja de conveniência, onde comprara uma soda de melancia, quando foi baleado, em 2012.

"Sinto que eles nos odeiam pela cor da nossa pele", diz a texana de cabelo loiro armado, que faz campanha por republicanos desde o presidenciável de 1964, o conservador Barry Goldwater.

A bandeira americana está na estampa do vestido e da bolsa de JoAnn. No pescoço, um pingente com o elefantinho azul, branco e vermelho -o animal é símbolo dos republicanos.

ESCOLHA BINÁRIA

Mais cedo, no salão do hotel onde os texanos estão hospedados, Ryan dizia ser preciso "tirar o elefante da sala, sem trocadilhos".

O recado é claro. Num país onde o voto é facultativo, afirma o presidente da Câmara, "temos uma escolha binária: quem não aparecer para votar em Trump, está votando em Hillary Clinton".

Uma delegada aperta o crucifixo do colar, e Ryan descontrai. Fala dos dois cachorros de caça, Boomer e Sooner, e elogia a lei estadual que legalizou a pesca feita com as mãos.

Repete: "Vocês realmente apreciam a liberdade".

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