Seleção brasileira de futebol abre mão de psicólogo nos Jogos Olímpicos do Rio
SÉRGIO RANGEL, ENVIADO ESPECIAL
TERESÓPOLIS, RJ (FOLHAPRESS) - Mesmo após o fiasco da seleção principal na última Copa do Mundo, os jogadores vão tentar conquistar a medalha de ouro olímpica sem o apoio de um profissional responsável pela preparação emocional.
Desde segunda (18), os convocados por Rogério Micale se preparam em Teresópolis para a disputa do título inédito.
Nesta terça, o técnico admitiu que não vai contar com psicólogo durante os Jogos Olímpicos do Rio. Ele disse que a preparação emocional será feita pelos próprios integrantes da comissão técnica.
"Temos conversado com os jogadores. Eles sabem que o que ocorreu no Mundial ficou marcado, mas estão cientes de aquilo tudo é coisa do passado. Importante é crescer com o que aconteceu, manter a tranquilidade e fazer o melhor dentro de campo", afirmou Micale, que substituiu Dunga na Olimpíada após Tite recusar o convite feito pela CBF.
Na Copa do Mundo, a seleção principal deu sinais claros de que não suportou a pressão dos torcedores. Antes de ser goleada pela Alemanha por 7 a 1 na semifinal, os jogadores chegaram a chorar publicamente após a vitória contra o Chile, nas oitavas.
Capitão da equipe, o zagueiro Thiago Silva, que não foi convocado para a Rio-2016, chegou a se recusar a cobrar o pênalti contra os chilenos.
A seleção de futebol é uma das poucas equipes brasileiras que vão disputar os Jogos sem contar com um especialista na preparação emocional.
O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) possui um grupo com mais de 30 psicólogos. Os grandes clubes do mundo, como o Barcelona e o Bayern de Munique, também contam com especialistas na área para trabalhar com os atletas.
Responsável pelo trabalho com a seleção de handebol, a paulista Alessandra Dutra é uma das líderes do grupo de preparação emocional do COB.
Ela esteve com a equipe que conquistou o título inédito do Mundial em 2013 na Sérvia, quando o Brasil derrotou a anfitriã por 22 a 20, nos minutos finais da partida.
MÃO GELADA
Apesar de descartar um profissional especializado em preparação emocional na seleção, Micale sentiu nesta terça a pressão por comandar o time nacional.
O treinador é praticamente desconhecido do torcedor. Ele construiu a carreira nas divisões de base.
Micale admitiu ter ficado nervoso ao conceder sua primeira entrevista coletiva na Granja Comary.
"Desculpe pela mão gelada", disse o treinador, ao cumprimentar os jornalistas após a entrevista. "Além do frio [a temperatura era de 15ºC], estava nervoso por causa da coletiva", completou.
Nesta terça, ele fará o primeiro coletivo em Teresópolis.
