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ATUALIZADA - Governo turco demite milhares de funcionários em reação contra o golpe

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo turco do presidente Recep Tayyip Erdogan ampliou o expurgo contra pessoas que acusa de terem envolvimento com o grupo que planejou a tentativa fracassada de golpe de Estado na última sexta-feira (15). Milhares de funcionários públicos foram demitidos de várias partes do governo em todo o país.

A iniciativa visa acabar com a suposta influência do opositor exilado Fethullah Gülen -em entrevista à Folha de S.Paulo, Gülen, clérigo autoexilado nos EUA acusado pelo governo turco de conspiração, afirma que ele e seu movimento sofrem uma "caça às bruxas", após terem sido enganados pelo presidente Recep Tayyip Erdogan e um governo que hoje "parece com uma ditadura".

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Ao menos 25.000 funcionários, sobretudo policiais e educadores, foram suspensos ou destituídos de suas funções em todo o país.

O Ministério da Educação fez o maior corte desta terça-feira (19), demitindo 15.200 pessoas em toda a Turquia. O Ministério do Interior demitiu 8.777 empregados e a Direção de Educação Superior exigiu a renúncia de 1.577 diretores de universidades.

Além disso, 257 pessoas que trabalhavam no escritório do primeiro-ministro foram mandadas embora, a Diretoria de Assuntos Religiosos anunciou a demissão de 492 pessoas e o Ministério da Família e de Políticas Sociais demitiu 393.

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A tentativa de golpe deixou mais de 200 mortos. Antes dessa onda de demissões, o expurgo de acusados de envolvimento com o golpe incluiu a prisão de 9.000 pessoas, incluindo militares, juízes, promotores e religiosos.

O presidente dois Estados Unidos, Barack Obama, conversou nesta terça-feira (19) com Erdogan. Ele ofereceu assistência dos EUA na investigação sobre a tentativa de golpe e pediu que o governo turco não exagere na busca pelos responsáveis.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, os dois presidentes discutiram o pedido de extradição do opositor turco Gülen, que Erdogan acusa de ser responsável pelo golpe. Os Estados Unidos devem analisar o pedido enviado pela Turquia.

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ESPÍRITO DE VINGANÇA

Além das declarações de Erdogan, o premiê turco também atacou o grupo que acusa de planejar o golpe.

"Vamos bani-los de tal forma que (...) nenhum outro traidor, nenhuma organização terrorista clandestina ou grupo terrorista separatista terá a audácia de trair a Turquia", declarou o primeiro-ministro Binali Yildirim, em referência aos partidários do pregador Fethullah Gülen, acusado de estar por trás do golpe.

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Mais cedo havia buscado visivelmente tranquilizar a comunidade internacional, ao negar que exista um "espírito de vingança" contra os golpistas, já que "uma coisa assim é absolutamente inaceitável no Estado de direito".

"Esta nação tira sua força do povo, não dos tanques", insistiu Yildirim no Parlamento.

As imagens que mostram agressões e humilhações contra os soldados golpistas que se renderam provocaram uma grande polêmica, sobretudo nas redes sociais.

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"O nível de vigilância e de atenção será importante nos próximos dias", advertiu na segunda-feira o secretário de Estado americano, John Kerry.

Nesta terça-feira, o Alto Conselho de Rádio e Televisão turco (RTUK) anunciou que havia retirado as licenças das redes de televisão e rádio próximas a Gülen, ou seja, os meios vinculados a Gülen.

PUNIÇÃO

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Até o momento, ao menos 118 generais e almirantes foram detidos, suspeitos de estar envolvidos na tentativa de golpe, segundo a agência Anatolia, no que aparenta ser uma importante punição das forças armadas.

Vinte e seis generais e almirantes, entre eles o ex-chefe da força aérea, general Akin Ozturk, foram colocados sob prisão preventiva depois de serem acusados, em particular de "tentativa de subverter a ordem constitucional" e de "tentativa de assassinato" do presidente Erdogan. Ozturk nega qualquer envolvimento e acusa, sem nomeá-los, os partidários de Gülen.

O Estado-Maior afirmou que "a grande maioria das Forças Armadas não teve absolutamente nada a ver" com a tentativa de golpe, e que os "traidores" que participaram desta "vilania" serão "punidos da forma mais dura".

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Kurtulmu também explicou que o golpe "não foi apoiado pela "cadeia de comando" do Exército. "Foram pessoas (os gülenistas) que estão nas Forças Armadas que tentaram o golpe de Estado. Não há diferença entre elas e o (grupo extremista) Estado Islâmico (EI)".

E completou: "mas não atuaremos como este grupo. Faremos dentro dos limites da lei".

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