Única dupla de remadores do Brasil na Olimpíada nunca remou junta no Rio
MARCEL MERGUIZO E PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADOS ESPECIAIS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma das grandes vantagens para os atletas do país sede dos Jogos Olímpicos é poder competir num local já conhecido. Ainda mais se a sua prova é em um cartão-postal da cidade, famoso mundialmente.
A única dupla de remadores a representar o Brasil na Olimpíada do Rio, no entanto, nunca esteve junta na Lagoa Rodrigo de Freitas, palco das disputas do esporte em agosto.
Xavier Vela, 26, e Willian Giareton, 25, vão estrear em uma competição no mesmo barco (double skiff peso leve) nas águas aos pés do Cristo Redentor na zona sul carioca em 7 de agosto, já valendo pela Olimpíada.
"Eu remei uma vez lá [na lagoa], é uma raia complicada, porque falam que o vento muda muito, mas tenho absoluta certeza que meu parceiro sabe como me conduzir lá", afirma Vela.
"Lá tem dias que o vento gira tanto que nos seis minutos que a gente compete pode pegar três ventos diferentes, ele gira por todos os lados. Quem vem de fora, sofre", explica Giareton.
A partir do dia 24 eles começam a treinar na lagoa.
Vela e Giareton se conheceram no início do ano e conseguiram a vaga em março, na Regata Latino-Americana, no Chile. Além deles, no feminino, o Brasil terá representantes no mesmo barco, com Vanessa Cozzi e Fernanda Nunes.
Vela é espanhol e há apenas um ano defende o Brasil, após quase dez representando as cores espanholas.
Nascido em Tortosa, na Catalunha, filho de pai brasileiro e mãe espanhola, ele já possuía os dois passaportes quando renunciou das competições pelo país europeu em 2014 –a federação mundial exige dois anos entre a renúncia e a inscrição por outro país.
Giareton nasceu em Ponte Serrada, em Santa Catarina, mas iniciou a carreira em Porto Alegre. Depois, treinou nove anos no Rio, por Vasco e Flamengo, mas há dois está no Grêmio Náutico União, na capital gaúcha.
"Hoje estamos treinando em Brasília, no lago Paranoá, para nos aclimatarmos ao calor daqui do Rio, pois a raia da lagoa [Rodrigo de Freitas] está fechada. Em Brasília é mais seco, mas o vento também sopra em todas as direções, o que é semelhante ao Rio. Em Porto Alegre treinamos no rio Guaíba, que é muito frio e a água não é parada", explica o catarinense.
A expectativa da dupla é ficar entre os 12 melhores dos Jogos, ou seja, fazer semifinal e disputar a final B.
"Nós pensamos as mesmas coisas, lá [na Espanha] as ideias não me conduziam para onde eu queria chegar, que eram os Jogos Olímpicos", diz Vela.
Então, ano passado, encontrou o treinador Marcello Varriale [do Grêmio União e da seleção brasileira] no Mundial, quando seu irmão [Pau] se classificou para os Jogos.
"Ali acertamos minha vinda ao Brasil. Me sinto catalão, mas sou espanhol, ainda sou espanhol. Mas o que mais me influenciou foi o orgulho de defender o Brasil. Meu pai ficará orgulhoso", afirma Vela.
Pau Vela Maggi, 30, defenderá a Espanha nos Jogos do Rio, mas não contra o irmão, pois compete com o barco Dois Sem Timoneiro.
