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Movimento contrário a presidente turco nega envolvimento em golpe

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JÚLIA BARBON

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Hizmet, movimento civil de oposição ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, negou envolvimento na tentativa de golpe de Estado que tomou conta do país nesta sexta (15).

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Três horas após os militares ocuparem as ruas, Erdogan fez uma declaração à emissora de TV CNN Türk e acusou o líder religioso Fettullah Gülen, criador do movimento, de estar por trás da tomada de poder.

"Não somos a favor de nenhum tipo de golpe civil-militar. Defendemos a separação de poderes, os valores democráticos e os direitos humanos", afirmou Kamil Ergin, do Centro Cultural Brasil Turquia, ligado ao Hizmet.

A Aliança por Valores Compartilhados, entidade considerada porta-voz do grupo, também divulgou uma nota declarando que "comentários dos círculos pró-Erdogan sobre o movimento são altamente irresponsáveis".

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O Hizmet afirma que ainda tenta entender a situação no país e que espera que a Turquia não seja tomada pela violência -Erdogan pediu aos turcos que fossem às ruas para desafiar os militares. "Esperamos que não seja como na praça Tahrir, no Egito", disse Ergin.

Na visão do movimento, o governo de Erdogan já era fruto de um golpe. "O que parece é que um governo ilegal está tentando ser derrubado de maneira também ilegal."

O HIZMET

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Analistas consideram o Hizmet, também conhecido como movimento Gülen, o maior e mais institucionalizado grupo civil islâmico turco.

No Brasil, ele está ligado ao Centro Cultural Brasil Turquia, a uma escola na zona sul de São Paulo e à Câmara de Comércio e Indústria Turco-Brasileira.

O grupo não possuem uma estrutura formal que coordene seus membros, presentes por livre associação. Dessa forma, é quase impossível estimar o número de participantes.

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A socióloga Helen Ebaugh, no livro "The Gülen Movement: A Sociological Analysis of a Civic Movement Rooted in Moderate Islam" (2010), estima que entre 7 milhões e 10 milhões de turcos façam parte do Hizmet -e que de 8 milhões a 10 milhões de pessoas participem em outros países.

Criado no final da década de 60 pelo imã e pregador Fethullah Gülen, o Hizmet, segundo seus membros, tem como objetivo promover a coexistência pacífica entre religiões e culturas, a democracia e a liberdade de pensamento por meio de organizações sem fins lucrativos, como centros culturais, escolas (incluindo universidades), jornais, canais de TV, hospitais e fundações.

Nos últimos três anos, o presidente Erdogan acusou diversas vezes lideranças do Hizmet, de quem já foi aliado, de tramar um golpe de Estado contra seu governo.

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