Festival da sanfona na Bahia traz também música gaúcha e americana
THALES DE MENEZES, ENVIADO ESPECIAL
JUAZEIRO, BA (FOLHAPRESS) - Se depender de sua primeira noite de shows, na quinta-feira (14), o 4º Festival Internacional da Sanfona, em Juazeiro, Bahia, pode ser considerado sucesso de público e de crítica.
Ficou gente do lado de fora do Centro de Cultura João Gilberto, localizado bem perto do rio São Francisco. Pessoas sentaram no chão da plateia lotada do teatro da instituição, que tem esse nome porque o pai da bossa nova é filho da cidade.
E qualquer crítico deve admitir que a escalação de abertura do evento se prestou totalmente a mostrar, com qualidade e empolgação, muitas faces da sanfona. Sempre associado à música nordestina, o instrumento passeou do Rio Grande do sul até Seattle, norte dos Estados Unidos.
O primeiro concerto (a nomenclatura é pomposa, mas adequada) ficou com o Quinteto Sanfônico da Bahia. Comandando um time de peso estava Targino Gondim, sanfoneiro superstar e um dos organizadores do festival, ao lado de Celso de Carvalho.
O quinteto veio de uma ideia que Targino lutou para colocar em prática há alguns anos, a criação da Orquestra Sanfônica da Bahia, com pretensões de reunir dezenas de tocadores do instrumento. Enquanto o projeto não progredia, ele passou a fazer show com uma versão reduzida. A formação do quinteto pode mudar, mas o material humano que Targino tem à disposição garante a qualidade.
No festival, além de seu criador, o quinteto contou com Gel Barbosa, Rennan Mendes, Marquinhos Café e Sebastian Silva. A apresentação conciliou espaço para que cada um demonstrasse sua habilidade no instrumento com um repertório que exibiu as possibilidades de inclusão da sanfona no cancioneiro popular de vários estilos.
Foram tantos sucessos populares que o público assumiu os vocais. As músicas estavam na memória afetiva de quase todos: "João e Maria", de Sivuca e Chico Buarque, "Índia", guarânia celebrizada por Cascatinha e Inhana, "Tarde em Itapuã", de Vinicius de Moraes e Toquinho, "Chega de Saudade", de Vinicius e Tom Jobim, entre outros.
Não faltou "Esperando na Janela", grande sucesso na voz de Gilberto Gil, que é composição de Targino. Assim, com pegada totalmente nordestina, o show terminou e deu espaço para sanfonas de outros sotaques.
O gaúcho Renato Borghetti subiu ao palco com sua gaita, um dos muitos nomes que a sanfona recebe em diferentes lugares do Brasil e do mundo.
Junto com um violonista excepcional, Daniel Sá, Borghetti foi ovacionado ao longo de um exibição espetacular.
Ele tocou o xote gaúcho, menos fluido e mais estacado que o do Nordeste, mas a aprovação foi geral. Para ganhar de vez o público, ele deixou que a plateia cantasse com ele "Felicidade", de seu conterrâneo Lupicinio Rodrigues.
Com tanta empolgação, parecia difícil a tarefa do sanfoneiro americano Murl Sanders, escalado para fechar a noite. Mas, simpático e exímio instrumentista, ele ganhou o público. Logo de cara, mostrou uma versão animada de "Ob-La-Di, Ob-La-Da", dos Beatles.
Acompanhado de baixo, guitarra e bateria, Sanders emendou canções para fazer o público bater palmas. Seu repertório foi de Van Morrison a George Gershwin, com batidas de música country e Bluegrass.
Para encerrar, ensinou a plateia a cantar "I've Got My Mojo Working", do bluesman Muddy Waters, terminando em ampla sintonia com o público de Juazeiro.
Com exposição fotográfica, workshops e oficinas de sanfona, o festival prossegue na noite de sexta (15) com os shows de Oswaldinho, Mestrinho e a dupla Argentina Vanina Tagini e Gabriel Merlino.
O jornalista viajou a convite do festival
